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Anais do II Congresso Brasileiro de Psicogerontologia

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CUIDADO HUMANIZADO DE ENFERMAGEM AOS IDOSOS EM FASE TERMINAL: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA

Andressa Carolina Baratto — A definir

Introdução: O envelhecimento populacional e o aumento das doenças crônicas e ameaçadoras da vida ampliam a necessidade de práticas assistenciais voltadas à pessoa idosa em situação de terminalidade. Nesse contexto, o cuidado não pode se restringir ao controle biológico da doença, pois envolve também alívio do sofrimento, preservação da dignidade, respeito à autonomia e atenção às necessidades emocionais, sociais e espirituais. A enfermagem ocupa posição central nesse processo por sua proximidade contínua com o paciente e a família. Objetivo: Analisar como a literatura científica descreve o cuidado humanizado de enfermagem direcionado a idosos em fase terminal. Método: Revisão integrativa da literatura realizada nas bases Biblioteca Virtual em Saúde e PubMed/MEDLINE, mediante descritores relacionados a idosos, cuidados paliativos e enfermagem. Foram priorizadas publicações entre 2020 e 2025, mantendo-se estudos anteriores de elevada aderência temática. A seleção ocorreu por leitura de títulos, resumos e textos completos, considerando a pertinência ao cuidado de enfermagem direcionado a idosos em cuidados paliativos ou em situação de terminalidade. Dos 206 registros submetidos à triagem, 39 compuseram a amostra final, sendo nove provenientes da BVS e 30 da PubMed/MEDLINE. Os estudos foram organizados em planilha e analisados de forma comparativa e temática. Resultados e Discussão: A análise evidenciou sete categorias temáticas: capacitação profissional; controle de sintomas e promoção do conforto; comunicação e organização do cuidado; espiritualidade e cuidado integral; humanização e relação terapêutica; autonomia, dignidade e cuidado centrado no idoso; e aspectos éticos relacionados ao fim da vida. Os achados demonstraram que o cuidado humanizado ultrapassa a execução de procedimentos técnicos e exige escuta, presença, acolhimento, empatia, comunicação sensível e respeito à história e às preferências da pessoa idosa. A qualificação profissional mostrou-se necessária tanto para o manejo de sintomas quanto para o enfrentamento das demandas emocionais, espirituais e éticas da terminalidade. A comunicação apareceu como elemento essencial para favorecer decisões compartilhadas, continuidade assistencial e maior segurança para pacientes e familiares. Também se destacou que o conforto inclui não apenas o alívio da dor, mas a redução do sofrimento psicológico, o apoio emocional, a preservação da autonomia e o reconhecimento da espiritualidade. Sob a perspectiva da Psicogerontologia, essas práticas contribuem para o bem-estar psicológico, para a preservação da identidade e para uma experiência de finitude mais digna e acolhedora. Conclusão: O cuidado humanizado de enfermagem ao idoso em fase terminal requer abordagem multidimensional, ética e centrada na pessoa, integrando conhecimento técnico, comunicação, conforto, empatia, espiritualidade e respeito à autonomia. A literatura reforça a necessidade de educação permanente e de estratégias institucionais que apoiem os profissionais diante das demandas assistenciais, emocionais e éticas presentes no fim da vida.

IICBP-0002Mostra de Trabalhos Científicos (E-pôsteres / Pôsteres Digitais)Abrir PDF

Palavras-chave: Cuidado humanizado, Enfermagem, Humanização da assistência, Idoso em fase terminal

PROCESSOS DE CUIDADOS DE TRANSIÇÃO NA DESOSPITALIZAÇÃO DE PESSOAS IDOSAS: UMA ABORDAGEM QUALITATIVA

Carolina Monteiro da Silva Ferreira — A definir

Introdução: Cuidados de Transição são uma estratégia ética, econômica e centrada na integralidade da atenção à saúde, especialmente no momento de transferência entre ambientes de cuidados. O estado da arte sobre o tema em psicologia no país nos últimos cinco anos tem se mostrado escasso, com necessidade de mais estudos, tendo em vista que psicólogos nem sempre estão capacitados para trabalhar com pessoas idosas e intervir assertivamente para suas reais demandas. Pesquisas sobre Cuidados de Transição têm facilitado a criação de novas práticas e redução dos custos públicos de saúde, com melhorias na rotatividade de leitos, dado sua carência no serviço público, o que sinaliza a importância de mais estudos sobre essa nova forma de pensar a transição do cuidado a fim de criar mais condições de saúde para as pessoas idosas em transição de cuidado, sua rede de apoio e os profissionais envolvidos. Objetivo: Este estudo teve como objetivo identificar a compreensão de uma equipe multiprofissional sobre os Cuidados de Transição no processo de desospitalização de pessoas idosas em um hospital geriátrico de Salvador, Bahia. Método: Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de campo, com caráter exploratório e descritivo. Foram entrevistados 14 profissionais de saúde em um hospital geriátrico filantrópico de Salvador, por meio de questionário estruturado e entrevista semiestruturada. A análise foi conduzida com base na técnica de análise de conteúdo de Bardin. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o parecer nº 74694923.6.0000.0047. Resultados e Discussão: Os participantes demonstraram compreensão parcial sobre os Cuidados de Transição, com destaque para a continuidade do cuidado no momento da alta hospitalar. Foram apontadas dificuldades estruturais, de comunicação e formação, além da ausência de planos de cuidado integrados. A atuação da psicologia foi destacada como elemento diferencial, especialmente na escuta qualificada, no apoio à adaptação psicossocial da pessoa idosa e na mediação com a equipe e os familiares. Identificou-se o desconhecimento da escala Care Transitions Measure como ferramenta avaliativa. A maioria dos participantes expressou interesse em receber formação sobre o tema. Conclusão: Há necessidade de qualificação das práticas de transição do cuidado na desospitalização de pessoas idosas, com fortalecimento da educação permanente das equipes e maior articulação com a rede de atenção à saúde. A psicologia se torna importante nesse cenário ao ouvir, acolher e mediar preocupações entre os pacientes idosos, seus cuidadores e outros profissionais de saúde, bem como desenvolver estratégias psicoeducacionais que se alinhem às demandas da pessoa idosa em transição de cuidados. Finalmente, esta pesquisa já foi publicada, podendo ser acessada pelo link na referência.

IICBP-0005Mostra de Trabalhos Científicos (E-pôsteres / Pôsteres Digitais)Abrir PDF

Palavras-chave: Alta do Paciente, Envelhecimento, Gerontologia

ENVELHECIMENTO DE MULHERES NEGRAS BRASILEIRAS: UMA REVISÃO DE ESCOPO

Polliana Teixeira da Silva — Programa de Pós-Graduação em Psicologia do Desenvolvimento e Escolar da Universidade de Brasília (PGPDE - UnB) · ORCID 0000-0002-0309-4175

Isabelle Patriciá Freitas Soares Chariglione — Programa de Pós-Graduação em Psicologia do Desenvolvimento e Escolar da Universidade de Brasília (PGPDE - UnB) · ORCID 0000-0001-8627-3736

Introdução: O fenômeno do envelhecimento populacional mundial é marcado pela sua feminização. Estudos já tratam sobre as trajetórias de mulheres negras brasileiras, desde a primeira infância até a vida adulta, mas ainda são escassas as pesquisas voltadas para os desdobramentos dessas vivências na velhice. Objetivo: O presente artigo conduziu uma revisão de escopo, visando mapear as pesquisas existentes sobre o processo de envelhecimento de mulheres negras no Brasil. Método: A revisão de escopo foi realizada seguindo o guia internacional PRISMA ScR e metodologia JBI. As buscas foram feitas nas plataformas BDTD, LILACS Plus e PsycINFO. Resultados e Discussão: Foram selecionados 12 trabalhos produzidos em quatro regiões do Brasil, os quais se debruçaram sobre as vivências específicas de mulheres negras idosas, discorrendo sobre suas dificuldades e potencialidades ao atingir a velhice. Dentre as dificuldades, destacam-se o preconceito, as barreiras de acesso aos seus direitos e questões de saúde. Entre as potencialidades, os estudos citam a estética, educação, religiosidade e afeto como fatores de proteção de mulheres negras idosas brasileiras no processo de envelhecer demarcado por gênero e raça. Conclusão: A população negra idosa brasileira segue sub-representada nas pesquisas científicas. Frente ao envelhecimento populacional enquanto fenômeno mundial, é urgente que a ciência direcione um olhar cuidadoso às relações entre a velhice e determinantes sociais.

IICBP-0007Mostra de Trabalhos Científicos (E-pôsteres / Pôsteres Digitais)Abrir PDF

Palavras-chave: Envelhecimento, Interseccionalidade, Mulheres Negras, Velhice

ESTRATÉGIAS DE COPING E SUA RELAÇÃO COM O CANSAÇO EMOCIONAL DE UNIVERSITÁRIOS IDOSOS

Gabriela Lopes De Oliveira — Universidade Católica de Brasília

Harymi Pontes de Carvalho — Universidade Católica de Brasília · ORCID 0009-0008-0272-0876

Eduarda Rezende Freitas — Universidade Católica de Brasília · ORCID 0000-0002-0315-9549

Introdução: Os países em desenvolvimento vivenciam um acelerado envelhecimento populacional que decorre, em grande parte, do aumento da expectativa de vida e da redução das taxas de natalidade. No Brasil, especificamente, estima-se que a população idosa (60 anos ou mais) ultrapassará o número de crianças e adolescentes até 2030. Diante desse cenário, torna-se imprescindível a criação de políticas que promovam a participação ativa das pessoas idosas na sociedade, a fim de promover uma maior qualidade de vida. É nesse sentido que a Universidade de Brasília (UnB), Distrito Federal, propôs o vestibular 60+ para incentivar o ingresso de pessoas idosas no ensino superior. As exigências e os desafios acadêmicos podem, entretanto, gerar níveis elevados de estresse entre os universitários, comprometendo seu bem-estar. Torna-se, pois, relevante investigar as estratégias de enfrentamento ao estresse adotadas por estudantes universitários idosos e sua relação com o cansaço emocional acadêmico. Objetivo: Investigar as estratégias de enfrentamento ao estresse (coping) adotadas por universitários idosos, e como elas se relacionam com o cansaço emocional. Método: Após aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Católica de Brasília (parecer nº 7.764.218), 106 universitários com 60 anos ou mais, estudantes de graduação presencial na UnB, responderam a um questionário sociodemográfico e às versões traduzidas e adaptadas para o contexto brasileiro dos instrumentos COPE Breve e Escala de Cansaço Emocional. Resultados e Discussão: Os resultados mostraram maior utilização de estratégias relacionadas à Resolução de problemas, ao Pensamento positivo e ao Apoio social. Dos quatro fatores, o menos utilizado foi a Evitação. Além disso, maiores níveis de cansaço emocional estiveram associados ao aumento do uso de estratégias de Apoio social, mas também de Evitação. Conclusão: Constata-se que embora os universitários idosos utilizem predominantemente estratégias voltadas ao enfrentamento ativo do estresse, o aumento do cansaço emocional pode influenciar a adoção de estratégias com menor competência para superar o estresse, como a Evitação. 


IICBP-0008Mostra de Trabalhos Científicos (E-pôsteres / Pôsteres Digitais)Abrir PDF

Palavras-chave: Ensino Superior, Envelhecimento, Estratégias de Enfrentamento, Estresse Acadêmico

Envelhecimento, trabalho e sentido da vida: uma revisão de escopo

Rebeca de Oliveira Bello — Universidade de Brasília · ORCID 0009-0001-5822-6876

Maria Luisa de Holanda Azevedo — Universidade de Brasília · ORCID 0009-0000-0595-1823

Tainá Victoria Machado — Universidade de Brasília · ORCID 0000-0001-6426-8354

Isabelle Patricia Freitas Soares Chariglione — Universidade de Brasília · ORCID 0000-0001-8627-3736

O envelhecimento populacional impõe reflexões complexas sobre a permanência e o desligamento do mercado laboral. Este estudo objetivou mapear a produção científica latinoamericana sobre a interface entre envelhecimento, trabalho e sentido da vida. Realizou-se uma revisão de escopo baseada nas diretrizes JBI e no modelo PRISMA-ScR, consultando as bases de dados LILACS, SciELO, Periódicos CAPES e o Banco de Teses e Dissertações da CAPES. Adotou-se como critérios de inclusão: ser um estudo latinoamericano, estar disponível gratuitamente, discutir envelhecimento, trabalho e sentido da vida e abordar população com mais de 50 anos. A seleção dos artigos se deu com auxílio da plataforma Rayyan sob avaliação independente de duas pesquisadoras com revisão final de uma terceira avaliadora nos casos de discordância. A amostra final foi composta por oito estudos publicados entre 2007 e 2024, contando com as seguintes tipologias de trabalho científico: artigo (37,5%), dissertação de mestrado (50%) e tese de doutorado (12,5%). Os dados extraídos foram analisados com uso do Microsoft Excel sob as categorias: autor/ano, tipo de estudo, área de conhecimento, objetivo, método do estudo, perfil dos participantes e principais achados. Os resultados revelam um campo científico multidisciplinar, emergente e fragmentado, de natureza predominantemente qualitativa, com expressiva concentração de investigações direcionadas a mulheres idosas, servidores públicos e à categoria docente. Os principais achados evidenciam o caráter ambivalente do binômio trabalho-aposentadoria: se, por um lado, a atividade laboral atua como promotora de saúde mental, utilidade social e propósito existencial, por outro, o afastamento compulsório pode precipitar crises de identidade e o vácuo existencial. Deste modo, na medida em que a relação com o trabalho ultrapassa necessidades exclusivamente financeiras, incluindo funções sociais e identitárias, conclui-se que a sustentação do sentido da vida na velhice exige a superação de perspectivas puramente econômicas da aposentadoria. Nesse sentido, faz-se preciso a estruturação de programas de preparação para a aposentadoria focados no suporte psicodinâmico e no desenvolvimento humano na pós-carreira.


IICBP-0009Mostra de Trabalhos Científicos (E-pôsteres / Pôsteres Digitais)Abrir PDF

Palavras-chave: Pessoas Idosas, Trabalho, Propósito de Vida, Envelhecimento

ESTRATÉGIAS DE COMBATE AO IDADISMO: UMA REVISÃO DE ESCOPO

Ana Maria Justo — Universidade Federal de Santa Catarina

Maria Eduarda Venske — Universidade Federal de Santa Catarina

Julia Grillo Schaefer — Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Introdução: Diante do acelerado envelhecimento populacional, ganha destaque o fenômeno do idadismo. Definido como discriminação ou preconceito baseado nos estereótipos relativos à idade, é um fenômeno que afeta negativamente as pessoas idosas em diversos aspectos de suas vidas. Embora presente em nosso contexto social, o idadismo ainda é negligenciado em debates sobre preconceito e discriminação, em especial no que se refere às intervenções para combatê-lo. Objetivo: Caracterizar estratégias propostas na literatura para redução ou combate ao idadismo contra pessoas idosas, analisando as abordagens eficazes e identificando as lacunas de pesquisa. Método:  Foi realizada uma revisão de escopo pautada nas recomendações JBI e PRISMA-ScR. A pergunta de pesquisa e os critérios de elegibilidade foram estruturados pelo mnemônico PCC. População: público-alvo de intervenções anti-idadistas; Conceito: ações direcionadas à redução/mitigação do idadismo contra idosos; Contexto: aberto, abrangendo estudos em diferentes ambientes. Incluíram-se estudos empíricos, publicados entre 2020 e 2025, em português, inglês, espanhol e francês.  Após a triagem de 536 registros iniciais, e aplicação de critérios de elegibilidade, 20 artigos foram selecionados. Resultados e Discussão: Todos os estudos analisados tiveram delineamento transversal e 14 deles eram de enfoque quantitativo. As intervenções foram classificadas em três grandes eixos: psicoeducação (n=8), contato intergeracional (n=7) e modelo PEACE (Positive Education about Aging and Contact Experiences n=5). O primeiro prioriza a conscientização sobre o idadismo e acesso a informações positivas sobre o envelhecer, ocorrendo majoritariamente em contextos universitários com jovens estudantes de saúde e assistência social. Já o contato intergeracional envolveu interações diretas, como na prática de medicina narrativa ou convivência comunitária, ou indiretas, mediado por vídeos e inteligência artificial. Ambas as formas se mostraram eficazes na desconstrução de estereótipos. Intervenções baseadas no modelo PEACE, que combinam educação positiva e experiências de contato, mostraram-se mais promissoras na redução de atitudes negativas e do idadismo internalizado. Notou-se também que formatos curtos e online, como vídeos breves, são ferramentas eficientes de baixo custo e amplo alcance. Identificaram-se lacunas importantes: a escassez de estudos longitudinais para avaliar a eficácia a longo prazo e a predominância de pesquisas no eixo norte-americano e europeu, evidenciando a urgência de estudos que contemplem a diversidade étnica, racial e geográfica. Ademais, constataram-se poucas intervenções que envolvessem contato real e efetivo entre jovens e pessoas idosas. Conclusão: A revisão demonstra que a educação positiva aliada ao contato intergeracional é a estratégia mais eficaz para mitigar o idadismo. Embora a maioria das intervenções atuais seja pontual e microssistêmica, elas mostram-se positivas para mudanças nas atitudes e crenças (estereótipos) sobre pessoas idosas. Contudo, parece urgente avançarmos para intervenções longitudinais e macrossistêmicas, capazes de sustentar transformações culturais duradouras.

IICBP-0011Mostra de Trabalhos Científicos (E-pôsteres / Pôsteres Digitais)Abrir PDF

Palavras-chave: idadismo, discriminação, envelhecimento, pessoa idosa

DO ESTRESSE DE MINORIA AO BEM-VIVER: PERSPECTIVAS DE SAÚDE MENTAL NO ENVELHECIMENTO LGBT+ NO BRASIL

Júlia Letícia de Oliveira Seidel — Universidade de Brasília (UnB) · ORCID 0009-0003-6918-0943

Vanessa de Castro Ribeiro — Universidade de Brasília (UnB) · ORCID 0009-0007-5050-9728

Silvia Beatriz Moreno Diniz — Universidade de Brasília (UnB) · ORCID 0000-0001-8415-205X

Isabelle Patriciá Freitas Soares Chariglione — Universidade de Brasília (UnB) · ORCID 0000-0001-8627-3736

Introdução: Ao observar o contínuo envelhecimento da população brasileira, denota-se a heterogeneidade deste processo para diferentes grupos sociais. Tratando da população LGBT+, observa-se que tal envelhecimento é atravessado por múltiplas barreiras sociais, que consolidam impactos significativos na saúde mental. Desse modo, compreender o escopo dos estudos já publicados sobre a temática se faz importante. Objetivo: Mapear a produção científica nacional acerca da saúde mental no processo de envelhecimento da população LGBT+. Método: Revisão de escopo conduzida conforme o protocolo do Joanna Briggs Institute (JBI) e o roteiro PRISMA-ScR. A busca foi realizada nas bases Base de Teses e Dissertações, Scopus, Biblioteca Virtual em Saúde, Web of Science e Scientific Electronic Library Online, sem restrição temporal, utilizando descritores em português e inglês para capturar estudos focados no contexto brasileiro. Incluíram-se investigações empíricas e literatura cinzenta que abordavam a saúde mental de indivíduos LGBT+ a partir de 40 anos.  Resultados e Discussão: Foram identificados 448 registros e, após critérios de elegibilidade, 4 estudos compuseram a amostra final. A literatura científica nacional sobre a temática revelou-se escassa. Os achados indicam que o sofrimento psíquico nesta população está intimamente ligado a estressores crônicos (estresse de minoria), discriminação acumulada ao longo do curso de vida e invisibilidade institucional. Por outro lado, novas perspectivas conceituais ressaltam o constructo do "bem-viver" e a relevância de redes de apoio comunitário na promoção do bem-estar psicológico e resiliência. Observou-se a falta de variabilidade de amostra nos estudos, prevalecendo populações homogêneas, com homens brancos, homossexuais e de alta escolaridade, o que invisibiliza opressões de raça, classe e outras intersecções que afetam pessoas idosas de grupos ainda mais marginalizados. Por fim, a exclusividade de estudos na área de psicologia sinaliza lacunas na formação interdisciplinar e aponta para a ausência de protocolos clínicos específicos para todas as especialidades, o que cria barreiras institucionais de acolhimento e de acesso dessa população aos serviços de saúde, públicos ou privados. Conclusão: A saúde mental no envelhecimento LGBT+ no Brasil é um campo epidemiológico e social ainda negligenciado. Evidencia-se a urgência do fortalecimento de pesquisas interdisciplinares na Saúde Coletiva e da formulação de políticas públicas integrativas que considerem as interseccionalidades de gênero, sexualidade e idade para garantir a equidade no acesso à saúde.

IICBP-0012Mostra de Trabalhos Científicos (E-pôsteres / Pôsteres Digitais)Abrir PDF

Palavras-chave: Saúde Mental, Envelhecimento, Minorias Sexuais e de Gênero, Revisão de Escopo

REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DO ENVELHECIMENTO FEMININO NO CONTEXTO INGLÊS

Gustavo Reis de Carvalho Pereira — UFDPAR

Andressa Camilly de Carvalho Guimarães — UFDPAR

Antônio Richard Schárlysson Silva — UFDPAR

⁠Arthur de Moraes Almeida — UFDPAR

Dayson Silvestre Lustosa — UFDPAR

Mateus Egilson da Silva Alves — UFDPAR

Nicole de Sousa Nobre — UFDPAR

Paulo Henrique Oliveira Barbosa — UFDPAR

⁠Sofia Miranda Ribeiro de Sousa — UFDPAR

⁠Ludgleydson Fernandes de Araújo — UFDPAR

Introdução: O envelhecimento das mulheres é um tema de crescente importância nas áreas da saúde pública e estudos de gênero, especialmente quando se observa a interação entre a idade e a identidade de gênero. Muitas vezes, os meios de comunicação em massa são os principais meios de propagação dessas cobranças, estereótipos sociais e discriminação quanto ao envelhecimento e à senescência. Ademais, na Inglaterra, a expectativa de vida se elevou, juntamente com a longevidade da população idosa. O atual estudo utiliza como arcabouço teórico a Teoria das Representações Sociais (TRS) para compreender o envelhecimento da população feminina na Inglaterra e proporcionar um maior entendimento social acerca do tal constructo; Objetivo: Compreender as RS do envelhecimento de mulheres na Inglaterra, considerando como esses sujeitos constroem e experienciam suas vidas; Método: O presente estudo trata-se de uma pesquisa qualitativa, exploratória-descritiva. Com dados transversais e um grupo de participantes do tipo não probabilístico. Contou-se com a participação de 200 mulheres adultas inglesas (maiores de 18 anos). A coleta de dados foi realizada por meio de um formulário digital que inclui um questionário biossociodemográfico, utilizando a plataforma Google Forms. O projeto foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos (CEP) da Universidade Federal do Delta do Parnaíba, Piauí, Brasil, recebendo o parecer nº 6.087.389. No que tange à aprovação do comitê na Inglaterra, a pesquisa contou com a parceria da Universidade de Bristol, a universidade emitiu um documento atestando que a aprovação obtida no comitê de ética brasileiro seria igualmente válida para a realização de coletas internacionais; Resultados e Discussão: Embora o envelhecimento seja algo contínuo, foi percebido que as participantes entendem o constructo como sendo uma etapa, ou seja, algo que se estabelecerá apenas em uma determinada época da vida e não sendo um processo contínuo. Especificamente em contexto inglês, os marcos sociais, biológicos e culturais são pertinentes na composição do envelhecimento feminino. Essa percepção é ainda mais acentuada quando se introduz o recorte de gênero. Tais padrões normativos produzem impactos significativos nas RS do envelhecimento feminino, frequentemente marcado por visões as quais são comuns sinais de medo e apreensões sociais; Conclusão: Foi possível ancorar as RS das mulheres, de modo geral, perpassadas por aspectos sociais que influenciam diretamente suas vivências, assim, acarretando em impasses que realçam camadas físicas e mentais. No caso das participantes inglesas, as representações estão atreladas a uma visão negativa das mudanças físicas atribuídas à senescência. De tal modo, as apreensões das representações sociais fica claro que o envelhecimento foi, por vezes, confundido com a velhice, sendo entendido como uma etapa da vida e não como um processo isento a cada pessoa e que mantém suas particularidades. Na Inglaterra, faz-se necessário ainda o combate a extremismos que tendem a se enraizar e nascer de tempos em tempo, levando isso em consideração, cabe aos órgãos públicos a criação de canais de informações para a população que se estabeleçam na conscientização realista.

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Palavras-chave: Envelhecimento, Mulheres, Representações sociais

REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DE MULHERES LÉSBICAS SOBRE O ENVELHECIMENTO FEMININO

Antônio Richard Schárlysson Silva — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UFDPar

Ana Clara de Santana Carvalho — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UFDPar

Ana Júlia Nóbrega Silva — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UFDPar

Dayson Silvestre Lustosa — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UFDPar

Evair Mendes da Silva Sousa — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UFDPar

Gustavo Reis de Carvalho Pereira — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UFDPar

Mateus Egilson da Silva Alves — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UFDPar

Nicole de Sousa Nobre — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UFDPar

Paulo Henrique Oliveira Barbosa — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UFDPar

Ludgleydson Fernandes de Araújo — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UFDPar

Introdução: O envelhecimento é um processo universal, mas não é vivenciado igualmente por todos, pois é atravessado por marcadores sociais, como gênero e sexualidade, que moldam as experiências do envelhecer. Mulheres tendem a serem mais cobradas socialmente frente à hegemonia de um olhar heteronormativo sobre o corpo feminino esteticamente jovem, heterossexual e branco. Já a população LGBTQIA+ é constantemente exposta à cenários de discriminação, invisibilidade e marginalização. Dessa maneira, mulheres lésbicas enfrentam o chamado duplo preconceito (idadismo e lesbofobia), o que interfere no bem-estar desse grupo. Compreender o envelhecimento de mulheres lésbicas brasileiras sob a ótica da Teoria das Representações Sociais (TRS), que busca entender como pessoas e grupos elaboram, compartilham e transformam conhecimentos, mostra-se de grande importância frente à necessidade de entender como esses sujeitos constroem e experienciam suas vidas. Objetivo: Compreender as representações do envelhecimento de mulheres lésbicas brasileiras. Método: Trata-se de uma pesquisa qualitativa, exploratória e descritiva, a partir de dados transversais e amostra não probabilística. O estudo contou com a participação voluntária e gratuita de 100 mulheres lésbicas brasileiras, que atenderam aos critérios de inclusão baseados em estudo prévio. A coleta aconteceu em ambiente virtual, a partir de um formulário online que contou com um questionário biosociodemográfico e o Teste de Associação Livre de Palavras (TALP). Os dados sociodemográficos foram analisados pelo SPSS e o TALP pelo IRaMuTeQ, que se deu por meio da Classificação Hierárquica Descendente (CHD). Em conformidade com a Resolução 510/2016, o projeto foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos (CEP) da Universidade Federal do Delta do Parnaíba, recebendo parecer n° 6.087.389. Dessa forma, assegurando a proteção dos participantes, foi garantido o acesso ao termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Resultados e Discussão: A CHD teve aproveitamento de 78.35%, acima do aproveitamento mínimo de 75% necessários. O conteúdo analisado foi classificado em cinco classes: perspectivas futuras, evoluções do envelhecer, os caminhos do envelhecer, associação do envelhecimento e experiências adquiridas. A partir das classes é possível visualizar que as lésbicas brasileiras atribuem ao envelhecimento como algo natural da vivência humana, que se caracteriza pelo acúmulo de experiência e consequentemente, de declínios funcionais em diferentes habilidades. Além disso, a percepção de perda de controle sobre as diferentes mudanças decorrentes do envelhecer são acompanhadas de sentimentos de insatisfação e desconforto, visto que o contexto sociocultural atribui um valor desproporcional à juventude, à atratividade do corpo feminino e à normas heteronormativas, fortalecendo tanto o idadismo como a lesbofobia. Conclusão: O estudo permitiu perceber olhares distintos acerca da velhice, que apesar de ser vista como um processo de consolidação e acúmulo de experiências de vida, é também representada como algo que vai em direção à finitude. Além disso, a partir de um olhar da velhice de mulheres lésbicas é visível percepções atravessadas por aspectos sociais que influenciam diretamente suas vivências, como a exclusão de proteções legais, pressão estética e rejeição familiar, o que pode intensificar impasses no bem-estar e consequentemente, nas percepções acerca do próprio processo de envelhecimento.

IICBP-0015Mostra de Trabalhos Científicos (E-pôsteres / Pôsteres Digitais)Abrir PDF

Palavras-chave: Envelhecimento, Minorias sexuais e de gênero, Teoria das Representações Sociais

ENVELHECER BISSEXUAL: UM OLHAR TRANSCULTURAL SOBRE AS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS

Ana Júlia Nóbrega Silva — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Ana Clara de Santana Carvalho — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Antônio Richard Schárlysson — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Arthur de Moraes Almeida — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Dayson Silvestre Lustosa — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Mateus Egilson da Silva Alves — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Maria Clara Araújo dos Santos — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Nicole de Sousa Nobre — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Paulo Henrique Oliveira Barbosa — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Ludgleydson Fernandes de Araújo — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Introdução: O envelhecimento, além de constituir um processo natural ao longo da experiência humana, é influenciado por fatores sociais, culturais e econômicos, sendo vivenciado de maneiras distintas entre os indivíduos. Nos países latino-americanos, como Brasil e Chile, esse fenômeno torna-se ainda mais relevante diante do acelerado envelhecimento populacional, evidenciando a necessidade de compreender como diferentes grupos sociais experienciam essa etapa da vida. Nesse contexto, o envelhecimento também deve ser compreendido a partir de uma perspectiva interseccional, na qual marcadores sociais, como a sexualidade, influenciam as formas de vivenciar esse processo. No caso da população bissexual, o envelhecimento é atravessado por desafios específicos, como a bifobia, o apagamento e a invalidação da identidade bissexual, além de estigmas e discriminações presentes tanto em contextos heterossexuais quanto dentro da própria comunidade LGBT. Essas experiências podem impactar diretamente a saúde mental, o bem-estar e os significados atribuídos ao envelhecimento. Objetivo: A partir desse contexto, utilizando-se da Teoria das Representações Sociais (TRS), proposta por Serge Moscovici, o presente estudo buscou apreender as representações sociais acerca do envelhecimento entre pessoas bissexuais brasileiras e chilenas, considerando que essas representações são construídas socialmente e influenciadas pelas experiências e pelos contextos socioculturais de ambos os países. Método: O estudo configura-se como uma pesquisa qualitativa, de caráter descritivo e exploratório, com amostragem não probabilística por conveniência. Participaram do estudo 98 pessoas bissexuais, sendo 49 brasileiras, com idades entre 18 e 63 anos (M = 28,14; DP = 10,19), e 49 chilenas, com idades entre 18 e 42 anos (M = 26,90; DP = 5,73). Para a coleta de dados, foram utilizados dois instrumentos: um questionário sociodemográfico e a Técnica de Associação Livre de Palavras (TALP), utilizando como termo indutor envelhecimento LBT. Resultados e discussão: Os resultados evidenciaram uma aproximação entre as representações sociais dos participantes brasileiros e chilenos acerca do envelhecimento. Em ambos os contextos, predominam elementos negativos, como solidão, medo, dificuldades, invisibilidade e discriminação, refletindo os desafios vivenciados pela população bissexual. Entretanto, também emergiram representações positivas relacionadas à família, ao amor, ao cuidado, à aceitação, à resistência e à liberdade, indicando que o envelhecimento também pode ser compreendido a partir de vínculos afetivos, fortalecimento e possibilidades de enfrentamento. Em contrapartida, os participantes chilenos também apresentaram representações que remetem ao envelhecimento como uma fase do ciclo vital, atribuindo ao termo indutor significados relacionados à própria condição de envelhecer. Conclusão: Conclui-se a importância de investigar os processos de envelhecimento da população bissexual, contribuindo para ampliar sua visibilidade e compreender os desafios que permeiam essa etapa da vida. Espera-se que os achados fortaleçam a produção científica sobre a temática e subsidiem a elaboração de políticas públicas e estratégias de cuidado que promovam inclusão, enfrentamento das desigualdades e um envelhecimento com mais qualidade de vida e dignidade.

IICBP-0017Mostra de Trabalhos Científicos (E-pôsteres / Pôsteres Digitais)Abrir PDF

Palavras-chave: Bissexualidade, Bifobia, Envelhecimento

FEMINIZAÇÃO DO ENVELHECIMENTO: REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DE MULHERES BRASILEIRAS ACERCA DO ENVELHECER

Nicole de Sousa Nobre — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Evair Mendes da Silva Sousa — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Gutemberg de Sousa Lima Filho — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Hiago Veras Gomes — Universidade Federal do Pará

Mateus Egilson da Silva Alves — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Matheus Feitosa Ferreira — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Maria Clara Araújo dos Santos — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Paulo Henrique Oliveira Barbosa — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Virgínia Maria Bezerra Silva — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Ludgleydson Fernandes de Araújo — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Introdução: A feminização do envelhecimento é uma realidade em diversos países do mundo, principalmente nos em desenvolvimento, no Brasil os dados mostram que o envelhecer está cada vez mais feminino, há mais mulheres chegando na fase da velhice, quando comparadas aos homens. Essa realidade traz à tona a necessidade de se pensar em formas distintas de envelhecimento e pluralizar o termo para velhices, já que cada mulher passa por questões muito específicas ao longo do seu envelhecimento. Nesse sentido, a Teoria das Representações Sociais torna-se um referencial teórico-metodológico essencial para compreensão das percepções dessas mulheres acerca do seu próprio processo de envelhecimento e como essas representações se manifestam em grupo. Objetivo: Objetivou-se apreender as representações sociais acerca do envelhecimento feminino entre mulheres brasileiras, diferentes faixas etárias (adultas, meia-idade e velhice). Método: Trata-se de uma pesquisa qualitativa descritiva e exploratória, com delineamento transversal e amostra não probabilística por conveniência. Participaram 130 mulheres brasileiras, distribuídas em três grupos etários, adultas, de meia-idade e na velhice, com média de idade de 34,5 anos, em sua maioria heterossexuais (85%), brancas (70%), solteiras (52%), com Ensino Médio Completo (51%). Os dados foram coletados por meio de questionário sociodemográfico e entrevista semiestruturada, com posterior análise de conteúdo e Classificação Hierárquica Descendente processada pelo software IRAMUTEQ versão 0.8. Resultados e Discussão: A análise revelou três classes temáticas relacionadas às mudanças físicas provenientes do processo de envelhecimento, impacto psicológico e emocional das perdas do envelhecimento e perda do papel social após a menopausa. As participantes mais jovens relataram ansiedade e frustrações relacionadas ao envelhecimento; as mulheres de meia-idade trouxeram aspectos das mudanças e limitações que a menopausa causa em suas vidas, destacaram dificuldades no ambiente de trabalho e familiar, sentimento de incompreensão; e as participantes idosas relataram isolamento social e invisibilidade, bem como impactos das cumulativas perdas físicas e sociais durante o envelhecer enquanto mulheres. Conclusão: Os resultados evidenciam que o envelhecimento feminino necessita de políticas públicas e intervenções psicossociais sensíveis às interseccionalidades geracionais, especialmente voltadas ao enfrentamento do isolamento social e da invisibilidade vivenciados por mulheres em processo de envelhecimento.

IICBP-0018Mostra de Trabalhos Científicos (E-pôsteres / Pôsteres Digitais)Abrir PDF

Palavras-chave: Envelhecimento feminino, Mulheres idosas, Teoria das Representações Sociais

REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA QUALIDADE DE VIDA ENTRE HOMENS ESPANHÓIS DE 55 ANOS OU MAIS

Ana Beatriz Vieira e Silva — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UPDPar

Mateus Egilson da Silva Alves — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UPDPar

Nicole de Sousa Nobre — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UPDPar

Paulo Henrique Oliveira Barbosa — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UPDPar

Matheus Feitosa Ferreira — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UPDPar

Virgínia Maria Bezerra Silva — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UPDPar

Maria Clara Araújo dos Santos — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UPDPar

Hiago Veras Gomes — Universidade Federal do Pará - UFPA

Ludgleydson Fernandes de Araújo — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UPDPar

Introdução: O envelhecimento populacional constitui um fenômeno demográfico crescente, especialmente em países europeus como a Espanha. A Qualidade de Vida configura-se como um constructo multidimensional, influenciado por fatores biológicos, psicológicos, sociais, culturais e econômicos. Nesse contexto, investigar como homens espanhóis representam sua qualidade de vida possibilita compreender elementos representativos estruturais a serem comparados com outras realidades como de homens brasileiros. Objetivo: Identificar as representações sociais de homens espanhóis acerca da qualidade de vida. Método: Trata-se de uma pesquisa qualitativa, exploratório-descritiva, de corte transversal, aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (parecer nº 4.942.097). Participaram 65 homens espanhóis, com idade entre 55 e 95 anos. Utilizaram-se dois instrumentos: (1) questionário biossociodemográfico para caracterização da amostra; (2) A Técnica de Associação Livre de Palavras (TALP) com o estímulo indutor "Qualidade de Vida". A coleta ocorreu de forma presencial e online. Os dados do questionário foram analisados no SPSS 25.0, por meio de estatística descritiva, e as evocações da TALP no IRaMuTeQ 0.7 a partir da análise prototípica. Resultados e Discussão: A análise prototípica apresentou como núcleo central das representações sociais os elementos saúde, família, tranquilidade, felicidade e bem-estar, evidenciando que a qualidade de vida é concebida como resultado da integração entre condições de saúde, relações familiares e satisfação subjetiva. Na primeira periferia destacaram-se amigos, dinheiro, amor, alimentação e desfrutar, indicando que o suporte social, a estabilidade financeira e as experiências cotidianas reforçam a construção de uma percepção positiva da qualidade de vida. Na zona de contraste emergiram elementos como segurança, comodidade, viver, aposentadoria, alegria, conforto, férias, vitalidade e prazer, sugerindo conteúdos individuais que complementam o campo representacional. Já a segunda periferia reuniu termos como viagens, renda, paz, ócio, moradia, trabalho, leitura, sexo, lazer, passear e mobilidade, revelando uma concepção mais ampla da qualidade de vida, associada às oportunidades de bem-estar, autonomia e participação social proporcionadas pelo contexto de vida espanhol. Conclusão: Pode-se denotar que entre os homens espanhóis as representações sociais da qualidade de vida estruturam-se principalmente em torno da saúde e do bem-estar, articuladas ao suporte familiar e social. Além desses elementos centrais, destacam-se componentes relacionados ao lazer, liberdade, autonomia e satisfação pessoal, indicando uma compreensão ampliada da qualidade de vida. Esses achados podem refletir as condições sociais, econômicas e sanitárias mais favoráveis da Espanha, favorecendo a emergência de aspectos subjetivos e de realização pessoal na construção das representações sociais da qualidade de vida.

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Palavras-chave: Envelhecimento, Homens, Representações Sociais

O QUE É QUALIDADE DE VIDA? UMA ANÁLISE SOB A ÓTICA DE HOMENS GAYS EM ENVELHECIMENTO

hiago veras gomes — Universidade Federal do Pará · ORCID 0000-0002-8547-8649

Eduard Dutra Dantas — centro universitário de João Pessoa - UNIPE

Julia Regina Chaves Pires Leite — Universidade Federal da Paraíba

Mateus Egilson da Silva Alves — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Nicole de Sousa Nobre — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Paulo Henrique Oliveira Barbosa — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Virgínia Maria Bezerra Silva — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Ludgleydson Fernandes de Araújo — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Introdução: A qualidade de vida é um conceito multidimensional que ocupa lugar central nas discussões contemporâneas sobre saúde, bem-estar e desenvolvimento humano. Em populações socialmente vulneráveis, como homens gays, essa dimensão assume contornos específicos, influenciados por fatores socioeconômicos, questões de saúde mental e os efeitos persistentes da homofobia estrutural. A interseccionalidade entre orientação sexual, idade e outros marcadores sociais cria barreiras específicas para essa população, impactando diretamente sua percepção de qualidade de vida ao longo do ciclo de vida. No Brasil, tais desigualdades se somam a um contexto de violência e exclusão social ainda persistente, tornando relevante investigar como diferentes faixas etárias percebem e constroem suas concepções de qualidade de vida. Objetivo: Este estudo teve como objetivo explorar as concepções de qualidade de vida entre homens gays brasileiros, distribuídos em três grupos etários (18 a 29 anos, 30 a 49 anos e 50 anos ou mais), a partir de uma perspectiva interseccional e do ciclo de vida. Método: Trata-se de uma pesquisa descritiva e exploratória, de delineamento transversal, com amostragem não probabilística por bola de neve intencional via redes sociais. Participaram 136 homens gays brasileiros. Os dados foram coletados por meio de um questionário sociodemográfico e de uma entrevista semiestruturada com pergunta aberta sobre o significado de qualidade de vida. A análise combinou análise de conteúdo indutiva, realizada de forma independente por dois pesquisadores, e Classificação Hierárquica Descendente por meio do software IRAMUTEQ, com triangulação de pesquisadores para garantir o rigor interpretativo. Resultados e Discussão: Os resultados revelaram que os participantes mais jovens priorizaram lazer, acesso a serviços básicos e relações sociais; os adultos de meia-idade enfatizaram estabilidade financeira e autonomia profissional; e os participantes mais velhos valorizam saúde física e mental, além de redes de apoio social. Três dimensões transversais emergiram em todos os grupos: saúde, segurança financeira e relações sociais. A discriminação, o estigma e a exclusão social foram identificados como barreiras significativas à qualidade de vida em todas as faixas etárias, sendo particularmente marcantes entre os participantes mais velhos, que relataram sentimentos de invisibilidade e menor senso de pertencimento em comparação aos mais jovens. Foram observadas lacunas nas políticas públicas voltadas a cada etapa da vida, sobretudo para homens gays idosos. Conclusão: Os achados reforçam a necessidade de abordagens segmentadas e interseccionais nas políticas públicas de saúde e nas intervenções sociais voltadas à população de homens gays, considerando as particularidades de cada etapa do ciclo vital.

IICBP-0020Mostra de Trabalhos Científicos (E-pôsteres / Pôsteres Digitais)Abrir PDF

Palavras-chave: Ciclo de Vida, Homossexualidade, Qualidade de Vida, Saúde Mental, Vulnerabilidade Social

ENVELHECIMENTO E SAÚDE MENTAL ENTRE HOMENS GAYS: REPRESENTAÇÕES SOCIAIS, DEMANDAS E CUIDADO

Sofia Miranda Ribeiro de Sousa — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UFDPar

Andressa Camilly de Carvalho Guimarães — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UFDPar

Evair Mendes da Silva Sousa — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UFDPar

Hiago Veras Gomes — Universidade Federal do Pará - UFPA

Mateus Egilson da Silva Alves — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UFDPar

Matheus Feitosa Ferreira — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UFDPar

Nicole de Sousa Nobre — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UFDPar

Paulo Henrique Oliveira Barbosa — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UFDPar

Virgínia Maria Bezerra Silva — Universidade Federal do Delta do Parnaíba -UFDPar

Ludgleydson Fernandes de Araújo — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UFDPar

Introdução: Nas últimas décadas, a população mundial envelheceu intensamente. Destaca-se o envelhecimento de pessoas LGBTQIA+, que enfrentam estresse de minorias. Entre homens gays, essa experiência repercute na saúde mental, podendo aumentar o adoecimento e reduzir o bem-estar ao longo de todo o ciclo vital. Objetivo: Apreender as representações sociais do envelhecimento e da saúde mental entre homens gays e levantar demandas comuns entre esse público. Método: O estudo foi desenvolvido em duas fases: 1) Contou-se com 200 participantes. Os critérios de inclusão foram: ter 18 anos ou mais, ser brasileiro, identificar-se como homem gay. Utilizaram-se um questionário sociodemográfico e entrevistas abertas, analisados por estatísticas descritivas (SPSS 25.0) e Classificação Hierárquica Descendente (Iramuteq 0.7); 2) realizou-se um grupo focal com a participação de 6 homens gays, com duração de 105 minutos. Os participantes foram escolhidos de forma intencional, de modo que se obtivesse um público com identificação com a temática discutida. Resultados e discussão: A partir das entrevistas, apreenderam-se representações do envelhecimento e da saúde mental pautadas em mitos e estereótipos e uma visão de envelhecimento atrelada à solidão. Quanto à saúde mental, identificou-se representação pautada na integralidade, compreendendo a saúde mental como influenciada por diferentes fatores, inclusive pela vivência de estigmas e violências homofóbicas. No grupo focal foram reafirmados os pontos levantados nas entrevistas e emergiu a ideia de invisibilidade da temática envelhecimento entre homens gays e demandas relacionadas ao preconceito no meio familiar, reafirmando o papel dos vínculos de amizade como fator protetivo. Desse modo, destacou-se a necessidade de disseminação de informações acerca de mitos e verdades do envelhecimento e dos direitos legais para proteção em caso de violência e fatores de proteção com relação à criação de vínculos e cuidado da saúde mental. Conclusão: A partir do conteúdo obtido, realizou-se a construção de uma cartilha educativa onde, por meio de textos curtos, linguagem acessível e ilustrada, são apresentados dados visando esclarecer os principais mitos acerca do envelhecimento, bem como a reafirmação da necessidade de preparo para a velhice. Por fim, são expostas informações acerca de estratégias que possam informar homens gays acerca de práticas e cuidados importantes para a promoção da saúde mental. Espera-se que o material resultante dessa pesquisa possa promover o preparo para o envelhecimento e saúde mental entre homens gays.

IICBP-0021Mostra de Trabalhos Científicos (E-pôsteres / Pôsteres Digitais)Abrir PDF

Palavras-chave: Saúde mental, envelhecimento, homens gays, representações sociais

ENTRE O ISOLAMENTO E A SAUDADE: REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA COVID-19 E A SOLIDÃO DE PESSOAS IDOSAS EM CONTEXTOS DE CRISE SANITÁRIAS

Paulo Henrique Oliveira Barbosa — Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar) · ORCID 0009-0000-4474-4093

Mateus Egilson da Silva Alves — Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar)

Nicole de Sousa Nobre — Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar)

Matheus Feitosa Ferreira — Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar)

Vírginia Maria Bezerra Silva — Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar)

Andressa Camilly de Carvalho Guimarães — Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar)

Sofia Miranda Ribeiro de Sousa — Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar)

Ana Clara De Santana Carvalho — Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar)

Maria Clara Araujo dos Santos — Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar)

Ludgleydson Fernandes de Araújo — Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar)

Introdução: As crises sanitárias produzem repercussões que ultrapassam a dimensão biomédica, afetando as relações sociais, a saúde mental e as condições de vida da população idosa. Durante a pandemia de Covid-19, pessoas idosas foram particularmente submetidas a medidas de isolamento e distanciamento social, em razão da maior vulnerabilidade às formas graves da doença. Embora necessárias para a proteção da saúde, essas medidas reduziram o contato presencial com familiares e amigos, favorecendo experiências de solidão e sofrimento psicossocial. Nesse contexto, compreender as representações sociais construídas por pessoas idosas acerca da Covid-19 permite identificar como a experiência da crise sanitária foi significada coletivamente.   Objetivo: Analisar as representações sociais da Covid-19 entre pessoas idosas brasileiras, considerando seus aspectos psicossociais e suas relações com experiências de isolamento, solidão e enfrentamento em contextos de crise sanitária  Método:Trata-se de estudo qualitativo, exploratório, descritivo e transversal, fundamentado na Teoria das Representações Sociais. Participaram 100 pessoas idosas brasileiras, com idades entre 60 e 82 anos (M=67,42; DP=6,14). A coleta ocorreu on-line, mediante questionário biossociodemográfico e Técnica da Associação Livre de Palavras (TALP), utilizando “Covid-19” como termo indutor. Os dados sociodemográficos foram analisados pelo SPSS 25.0 e as evocações foram submetidas ao IRaMuTeQ 8.0, por meio de análise prototípica. . Resultados e Discussão:As representações sociais apresentaram como elementos centrais “isolamento”, “morte”, “doença”, “máscara”, “tristeza” e “medo”, evidenciando uma compreensão da Covid-19 associada à doença e às repercussões negativas da crise sanitária. Entre os elementos periféricos emergiram “solidão”, “família”, “saudades”, “ansiedade”, “cuidado” e “saúde”, indicando que a experiência pandêmica também foi significada a partir das relações interpessoais e das consequências emocionais do distanciamento. Embora “solidão” tenha apresentado menor frequência e maior ordem de evocação, sua presença, articulada a “família” e “saudades”, sugere que a redução do contato presencial constituiu dimensão relevante da experiência da crise. Essa interpretação converge com estudos discutidos no artigo, segundo os quais o isolamento prolongado entre pessoas idosas esteve associado ao aumento de ansiedade, depressão e solidão, enquanto o contato remoto não compensou integralmente a redução das interações presenciais. A religiosidade também apareceu como possível recurso de enfrentamento diante da solidão e do distanciamento social. Os achados reforçam, portanto, que os impactos de crises sanitárias sobre pessoas idosas não se restringem ao adoecimento físico, envolvendo perdas relacionais, sofrimento emocional e transformações nas redes de apoio.   Conclusão: As representações sociais da Covid-19 entre pessoas idosas brasileiras revelam uma experiência marcada por medo, isolamento, perdas e sofrimento, mas também por estratégias de cuidado e enfrentamento. A presença da solidão entre as evocações evidencia a necessidade de que futuras respostas a crises sanitárias considerem, além da proteção contra a doença, a manutenção dos vínculos sociais e das redes de apoio. Assim, políticas e práticas de saúde voltadas à população idosa devem adotar uma perspectiva multidimensional, capaz de prevenir o isolamento social e seus possíveis impactos sobre a saúde mental e o bem-estar. 


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Palavras-chave: Covid-19, Isolamento, Representações Sociais

QUEM SÃO AS PESSOAS IDOSAS NO ENSINO SUPERIOR: UM ESTUDO NA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA

Harymi Pontes de Carvalho — Universidade Católica de Brasília · ORCID 0009-0008-0272-0876

Eduarda Rezende Freitas — Universidade Católica de Brasília · ORCID 0000-0002-0315-9549

Introdução: O envelhecimento populacional constitui uma das principais transformações demográficas contemporâneas e amplia a necessidade de ações que favoreçam saúde, participação e qualidade de vida das pessoas idosas. Nessa perspectiva, o envelhecimento ativo incorpora a aprendizagem ao longo da vida como dimensão relevante para a continuidade do desenvolvimento e da participação social. Embora a presença de pessoas idosas em cursos regulares de graduação ainda seja limitada no Brasil, iniciativas recentes vêm ampliando seu acesso ao ensino superior formal. Entre elas, destaca-se o UnB 60mais, processo seletivo específico da Universidade de Brasília (UnB) para ingresso de pessoas com 60 anos ou mais em cursos de graduação. Objetivo: Caracterizar o perfil sociodemográfico e mapear aspectos de saúde e doença de universitários com 60 anos ou mais da UnB. Método: Estudo quantitativo, transversal e exploratório, realizado com amostra não probabilística por conveniência, composta por 106 pessoas com idade entre 60 e 79 anos (M=65,79; DP=4,19) matriculadas em cursos presenciais de graduação da UnB. Após aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Católica de Brasília (parecer nº 7.764.218), os participantes responderam a um questionário sociodemográfico e de saúde. Foram realizadas análises descritivas. Resultados e Discussão: Os participantes apresentaram perfil predominantemente feminino (66,98%), aposentado (74,29%), e com formação superior prévia (78,10%). Observou-se maior frequência de renda individual superior a sete salários-mínimos (35,92%). Quanto ao arranjo domiciliar, 72,64% residiam com outras pessoas, sobretudo cônjuge ou companheiro. A escolaridade parental, por sua vez, evidenciou diferenças geracionais importantes: predominou o ensino fundamental incompleto entre mães (26,4%) e pais (27,9%), além de ter sido observado maior analfabetismo materno (14,2%) em comparação ao paterno (8,7%). Esse contraste com a elevada escolarização dos participantes permite situar os resultados no contexto das transformações das oportunidades educacionais entre diferentes gerações. Em relação à saúde, observou-se elevada frequência de doenças crônicas (72,64%), percepção da própria saúde como boa ou muito boa (86,79%), acompanhamento médico regular (88,46%) e prática de atividade física (66,02%). Hipertensão arterial (40,57%), problemas de visão (21,70%) e diabetes mellitus (12,26%) estiveram entre as condições mais relatadas. Os resultados sugerem que o acesso à graduação por meio do Processo Seletivo UnB 60Mais ocorre majoritariamente entre pessoas idosas com melhores condições socioeconômicas, educacionais e de saúde. Conclusão: Os resultados contribuem para ampliar o conhecimento sobre pessoas idosas inseridas em cursos regulares de graduação, população ainda pouco investigada no cenário nacional. Reforçam, ainda, a relevância da educação formal como possibilidade de continuidade da aprendizagem ao longo da vida e apontam para a necessidade de que a ampliação do acesso ao ensino superior seja acompanhada por estratégias que favoreçam a inclusão de pessoas idosas com diferentes perfis socioeconômicos, educacionais e de saúde, promovendo maior equidade no acesso a esse nível de ensino.

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Palavras-chave: Ensino Superior, Envelhecimento, Pessoa Idosa, Saúde

MULHERES LÉSBICAS INGLESAS E SUAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS ACERCA DO ENVELHECIMENTO

Matheus Ferreira — Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar)

Antônio Richard Schárlysson Silva — Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar)

Dayson Silvestre Lustosa — Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar)

Evair Mendes da Silva Sousa — Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar)

Hiago Veras Gomes — Universidade Federal do Pará

Gustavo Reis de Carvalho — Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar)

Mateus Egilson da Silva Alves — Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar)

Nicole de Sousa Nobre — Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar)

Paulo Henrique Oliveira Barbosa — Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar)

Ludgleydson Fernandes de Araújo — Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar)

Introdução: O envelhecimento feminino constitui um tema de crescente importância para a saúde pública e os estudos de gênero, especialmente diante das cobranças sociais relacionadas aos sinais da idade. Os meios de comunicação contribuem para a propagação de estereótipos e discriminações associados ao envelhecimento. Na Inglaterra, o aumento da expectativa de vida acompanha a maior longevidade da população, destacando-se o fenômeno da “feminização da velhice”. Apesar disso, as mulheres apresentam menor probabilidade de envelhecer de forma saudável quando comparadas aos homens. Compreender o envelhecimento de mulheres lésbicas requer considerar também as especificidades relacionadas à orientação sexual. A pesquisa utilizou a Teoria das Representações Sociais, de Serge Moscovici, para compreender os significados construídos acerca do envelhecimento feminino. Objetivo: Objetivou-se buscar e compreender sobre as Representações Sociais (RS) do envelhecimento de mulheres lésbicas na Inglaterra, ao entender como esses sujeitos experienciam suas vidas. Desse modo, foram consideradas as afetações relacionadas ao envelhecimento, dado a importância do tema na construção de ações políticas e sociais para essa população. Método: Trata-se de uma pesquisa qualitativa, exploratório-descritiva e transversal, com amostra não probabilística. Participaram 200 mulheres adultas inglesas, maiores de 18 anos. Foram considerados como critérios de inclusão ter idade igual ou superior a 18 anos, ser uma mulher lésbica, residir na Inglaterra e concordar voluntariamente com a participação mediante aceite do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. A coleta ocorreu por meio de formulário digital na plataforma Google Forms, composto por questionário biossociodemográfico e entrevista estruturada, cuja pergunta central foi: “O que você entende sobre o envelhecimento?”. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal do Delta do Parnaíba, sob parecer nº 6.087.389, e contou com parceria da Universidade de Bristol para a realização da coleta internacional. Resultados e Discussão: As mulheres lésbicas inglesas apresentaram representações do envelhecimento relacionadas ao crescimento intelectual, à sabedoria e à evolução, mas também demonstraram preocupação com aspectos físicos do envelhecer, especialmente mudanças corporais visíveis e suas repercussões psicológicas e sociais. No contexto inglês, aspectos sociais, biológicos e culturais mostraram-se relevantes para a compreensão do envelhecimento lésbico feminino. Observou-se valorização social da juventude, da aparência física e da produtividade, cujos padrões normativos repercutem nas representações do envelhecimento, marcadas também pelo medo e pela apreensão diante das transformações corporais e dos sinais visíveis da velhice. Além disso, desigualdades sociais, invisibilização de grupos minoritários e homofobia atravessam a trajetória dessas mulheres, podendo repercutir na saúde física e mental, no acesso a serviços e nos significados atribuídos às suas vivências e preocupações relacionadas à morte. Conclusão: As representações sociais do envelhecimento entre mulheres lésbicas inglesas mostraram-se atravessadas por aspectos positivos e negativos, como crescimento, sabedoria, evolução, apreensões relacionadas às mudanças físicas, à velhice, ao medo e à morte que se relacionam aos preconceitos e violências ao longo da vida. Os achados reforçam a necessidade de promover informações acerca do envelhecimento e de considerar as especificidades das mulheres lésbicas, contribuindo para a conscientização acerca desse processo e para o enfrentamento de preconceitos.

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Palavras-chave: Envelhecimento, Representação Socia, Lésbicas, Inglaterra

Envelhecer em Rede: Suporte Social no Envelhecimento LGBT+ Brasileiro

Vanessa de Castro Ribeiro — Universidade de Brasília · ORCID 0009-0007-5050-9728

Júlia Letícia de Oliveira Seidel — Universidade de Brasília · ORCID 0009-0003-6918-0943

Silvia Beatriz Moreno Diniz — Universidade de Brasilia · ORCID 0000-0001-8415-205X

Isabelle Patriciá Freitas Soares Chariglione — Universidade de Brasília · ORCID 0000-0001-8627-3736

Introdução: O envelhecimento populacional no Brasil avança de forma acelerada, demandando investigações que superem abordagens hegemônicas e considerem a pluralidade do ciclo vital. Nesse contexto, a literatura científica sobre a velhice LGBT+ frequentemente prioriza patologias e vulnerabilidades, invisibilizando as potencialidades e a agência desses sujeitos. Assim, compreender o suporte social como fator de proteção e produção de vida para essa população mostra-se fundamental. Objetivo: Mapear a literatura científica nacional acerca do suporte social no processo de envelhecimento da população LGBT+. Método: Realizou-se uma revisão de escopo pautada nas diretrizes do Joanna Briggs Institute (JBI) e do roteiro PRISMA-ScR. A busca foi realizada nas bases PsycINFO, Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), Scopus, Web of Science (WoS), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Scientific Electronic Library Online (SciELO), sem restrição temporal, utilizando descritores em português e inglês para capturar de forma abrangente produções de autores brasileiros focadas na realidade do país. Foram incluídos estudos que abordassem indivíduos LGBT+ com 40 anos ou mais e sua relação com redes de apoio formal e informal. Resultados e Discussão: Foram identificados 135 registros e, após critérios de elegibilidade, 5 estudos compuseram a amostra final. Evidencia-se uma escassez de investigações sistemáticas sobre a temática no cenário brasileiro. Os resultados apontam para a centralidade do suporte social informal — como redes de afetividade escolhidas e coletivos ativistas — como mecanismo de enfrentamento às vulnerabilidades programáticas e ao preconceito histórico. Também observou-se que o suporte social pode ser atravessado por ambiguidades: embora essas redes favoreçam proteção e sociabilidade, podem reproduzir mecanismos internos de exclusão, como a homonormatividade. A dinâmica do “armário” esteve presente nos estudos, revelando-se simultaneamente como fonte de invisibilidade e estratégia de proteção diante do estigma e da violência. Ademais, foram identificadas fragilidades no suporte formal, uma vez que políticas e instituições de acolhimento operam sob lógicas cisheteronormativas excludentes, gerando violência institucional e sobre-responsabilização individual do cuidado. Conclusão: O suporte social desempenha um papel protetivo crucial na saúde mental e na qualidade de vida dessa população, evidenciando a necessidade premente de formulação de políticas públicas integrativas e do fortalecimento de pesquisas gerontológicas sob a perspectiva da diversidade sexual e de gênero. 

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Palavras-chave: Suporte Social, Envelhecimento, LGBT+, Revisão de Escopo

ENVELHECIMENTO EM PERSPECTIVA INTERCULTURAL: REPRESENTAÇÕES SOCIAIS ENTRE HOMENS HETEROSSEXUAIS BRASILEIROS E INGLESES

Maria Clara Araujo dos Santos — Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar) · ORCID 0009-0006-7979-6508

Gutemberg de Sousa Lima Filho — Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar)

Mateus Egilson da Silva Alves — Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar)

Nicole de Sousa Nobre — Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar)

Paulo Henrique Oliveira Barbosa — Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar)

Evair Mendes da Silva Sousa — Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar)

Ana Beatriz Vieira e Silva — Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar)

Ana Clara De Santana Carvalho — Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar)

Arthur de Moraes Almeida — Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar)

Ludgleydson Fernandes de Araújo — Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar)

Introdução: O envelhecimento constitui um processo natural, porém marcado por diferentes experiências e significados conforme o contexto sociocultural e as condições de vida dos indivíduos. Nesse sentido, compreender as representações sociais do envelhecimento entre homens heterossexuais de diferentes países permite identificar aproximações e particularidades relacionadas à forma como esse processo é percebido.   Objetivo:Comparar as representações sociais do envelhecimento entre homens heterossexuais brasileiros e ingleses. Método:Trata-se de uma pesquisa qualitativa, exploratória e descritiva, de corte transversal e amostra não probabilística. Participaram 250 homens heterossexuais, sendo 125 brasileiros e 125 ingleses, com idade igual ou superior a 18 anos. A coleta ocorreu de forma on-line, por meio de questionário biossociodemográfico e entrevista estruturada, orientada pela questão “O que você entende por envelhecimento?”. As entrevistas foram analisadas pelo software IRAMUTEQ, utilizando-se a Classificação Hierárquica Descendente (CHD). Resultados e Discussão:Os homens heterossexuais brasileiros apresentaram cinco classes, que evidenciaram o envelhecimento como processo natural e transformador, mas também marcado pela multiplicidade das experiências, pelos receios e pelos fatores protetivos. As representações brasileiras destacaram as mudanças físicas, limitações e doenças, além da importância da família como rede de apoio. Também emergiram condições socioeconômicas e de moradia como elementos capazes de facilitar ou dificultar o envelhecimento. Destacou-se ainda a representação do envelhecimento como acúmulo de experiências e sabedoria. Entre os homens heterossexuais ingleses, foram identificadas duas classes, relacionadas aos aspectos positivos e aos impactos das mudanças do envelhecer. Assim como os brasileiros, os ingleses representaram o envelhecimento como processo associado às transformações físicas, mas também como oportunidade de adquirir experiência e sabedoria, destacando o papel da família no cuidado, afeto e tranquilidade. Entretanto, os ingleses também enfatizaram a disponibilidade de recursos para enfrentar as mudanças do envelhecimento, como medicamentos, cuidados de terceiros e suporte institucional.  Conclusão: Os resultados demonstram convergências e particularidades entre as representações dos homens heterossexuais brasileiros e ingleses. Em ambos os contextos, o envelhecimento é compreendido como processo natural, associado às transformações físicas, à família e à aquisição de experiência e sabedoria. Entretanto, os brasileiros enfatizam mais fortemente a influência das condições socioeconômicas, das limitações e das redes familiares, enquanto os ingleses destacam possibilidades de cuidado e suporte diante das mudanças do envelhecer. Essas diferenças evidenciam a influência do contexto social e dos recursos disponíveis na construção das representações sociais do envelhecimento. 

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Palavras-chave: Envelhecimento, Homens heterossexuais, Representações sociais, Brasil

REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DO ENVELHECIMENTO DE MULHERES BRASILEIRAS HETEROSSEXUAIS

Virgínia Maria Bezerra Silva — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Ana Júlia Nóbrega Silva — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Antônio Richard Schárlysson Silva — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Dayson Silvestre Lustosa — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Evair Mendes da Silva Sousa — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Gustavo Reis de Carvalho — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Mateus Egilson da Silva Alves — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Nicole de Sousa Nobre — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Paulo Henrique Oliveira Barbosa — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Ludgleydson Fernandes de Araújo — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Introdução: O envelhecimento é um tema de crescente importância na saúde pública e nos estudos de gênero, sobretudo quando se observa a relação entre idade e identidade de gênero. Em uma sociedade orientada por uma lógica produtivista, na qual o trabalho é equiparado a uma vida saudável e funcional, os corpos envelhecidos tendem a ser desvalorizados e percebidos socialmente como improdutivos. As mulheres, em especial, tendem a ser mais cobradas socialmente quando surgem sinais de idade, cobrança propagada principalmente pelos meios de comunicação em massa, que reforçam estereótipos e discriminação quanto ao envelhecer. Diante disso, a Teoria das Representações Sociais, de Serge Moscovici, foi adotada como base teórica, por permitir aproximar o não familiar do familiar e favorecer a compreensão coletiva sobre esse fenômeno. Objetivo: Explorar as representações sociais do envelhecimento entre mulheres heterossexuais brasileiras, buscando compreender de que forma essas mulheres significam e experienciam essa fase da vida. Método: Trata-se de um estudo qualitativo, exploratório-descritivo, com delineamento transversal e amostragem não probabilística. Participaram 100 mulheres brasileiras heterossexuais, com idade média de 24 anos, que responderam a um formulário digital contendo um questionário biossociodemográfico e uma pergunta aberta sobre o entendimento acerca do envelhecimento. Os dados foram analisados sequencialmente por meio dos softwares IBM SPSS e Iramuteq. Resultados e Discussão: A análise organizou o discurso das participantes em seis classes. A primeira enfatiza a velhice como uma fase do processo de envelhecimento, associada a mudanças e transformações físicas e biológicas naturais. A segunda trata a velhice como dádiva, entendendo essa etapa como um estágio de cuidado e caracterizando o envelhecer como inevitável. A terceira concentra representações centradas em aspectos positivos, relacionadas a possibilidades de um novo começo. A quarta ancora características psicossociais associadas a perdas e a questões de saúde, contribuindo para a dificuldade de projetar o envelhecimento em longo prazo. A quinta traz representações ligadas a fatores mentais e físicos, retomando a importância do equilíbrio vivencial para a qualidade de vida. Já a sexta caracteriza o envelhecimento como um fator humano, compreendido a partir de transformações que fazem parte do ciclo natural da vida e frequentemente associado à maturidade. No conjunto, o envelhecimento dessas mulheres aparece atrelado à perda de valor simbólico associado à feminilidade e à atratividade física, reforçada por uma cultura midiática que exalta a juventude e hipersexualiza o corpo feminino. As desigualdades socioeconômicas também surgem como barreira ao acesso a recursos essenciais para um envelhecimento saudável e digno, levando essas mulheres a buscarem autonomia e independência para minimizar as limitações impostas pelas disparidades de classe social. Conclusão: As representações sociais do envelhecimento entre mulheres heterossexuais brasileiras revelam-se plurais, ancoradas na naturalidade do processo, mas também atravessadas por cobranças estéticas e desigualdades sociais que pesam de forma particular sobre a experiência feminina. Reforça-se, assim, a importância de estudos e de políticas públicas que valorizem essas vivências, contribuindo para o enfrentamento da discriminação de gênero e para um envelhecimento mais digno dessa parcela da população brasileira.

IICBP-0027Mostra de Trabalhos Científicos (E-pôsteres / Pôsteres Digitais)Abrir PDF

Palavras-chave: Envelhecimento, Mulheres heterossexuais, Representações sociais

REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA VELHICE E SUAS IMPLICAÇÕES PARA A ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE NO CHILE

Ana Clara De Santana Carvalho — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Mateus Egilson da Silva Alves — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Nicole de Sousa Nobre — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Paulo Henrique Oliveira Barbosa — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Matheus Feitosa Ferreira — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Virgínia Maria Bezerra Silva — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Evair Mendes da Silva Sousa — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Maria Clara Araújo dos Santos — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Ludgleydson Fernandes de Araújo — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Introdução: O envelhecimento populacional chileno tem ocorrido de forma acelerada, impondo desafios à Atenção Primária à Saúde (APS), principal nível de atenção responsável pela promoção do envelhecimento saudável e pelo cuidado longitudinal das pessoas idosas. Embora o país disponha de políticas voltadas ao envelhecimento, persistem desafios relacionados à superação de práticas centradas no modelo biomédico e ao fortalecimento de estratégias que contemplem as dimensões psicossociais do envelhecer. Nesse contexto, as Representações Sociais da velhice constituem importante ferramenta para compreender como as pessoas idosas significam essa etapa da vida e em que medida tais significados dialogam com as práticas desenvolvidas na APS. Objetivo: Analisar as Representações Sociais da velhice entre pessoas idosas chilenas e discutir suas implicações para a Atenção Primária à Saúde no Chile. Método: Pesquisa qualitativa, exploratório-descritiva, de delineamento transversal, aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (parecer nº 4.942.097). Participaram 58 pessoas idosas chilenas, com idade entre 60 e 101 anos. Utilizaram-se dois instrumentos: (1) questionário biossociodemográfico; e (2) Técnica de Associação Livre de Palavras, utilizando o termo indutor "Velhice". A coleta ocorreu de forma online. Os dados sociodemográficos foram analisados no SPSS 25.0, por meio de estatística descritiva, e as evocações processadas no IRaMuTeQ 0.7 alpha 2, utilizando a Análise Prototípica. Resultados e Discussão: A análise prototípica evidenciou como núcleo central das representações os elementos doença, solidão, experiência, sabedoria, descanso, dores, cansaço e liberdade, revelando uma compreensão ambivalente da velhice, simultaneamente marcada pela senilidade e pelo reconhecimento de ganhos subjetivos decorrentes da experiência acumulada. Nas periferias emergiram elementos relacionados à família, felicidade, ajuda, saúde, medicamentos, depressão, medo e insônia, indicando que o envelhecimento é vivenciado para além das alterações biológicas, envolvendo vulnerabilidades emocionais e relacionais. Esses achados tensionam a atuação da APS chilena, uma vez que a centralidade atribuída à doença e à solidão sugere que o cuidado ofertado ainda não tem sido suficiente para ressignificar representações historicamente ancoradas na perda, dependência e isolamento. Assim, fortalecer ações comunitárias, redes de apoio, promoção da saúde mental e participação social mostra-se tão relevante quanto o manejo das condições crônicas, contribuindo para um cuidado mais integral e menos medicalizante. Conclusão: Entre as pessoas idosas chilenas, as Representações Sociais da velhice articulam conteúdos negativos relacionados à doença e à solidão com aspectos positivos, como experiência, sabedoria e liberdade. Essa ambivalência evidencia que os desafios da APS no Chile ultrapassam o cuidado clínico, exigindo práticas capazes de reconhecer a complexidade psicossocial do envelhecimento e promover autonomia, vínculos comunitários e envelhecimento ativo, contribuindo para a desconstrução de estigmas historicamente associados à velhice.

IICBP-0029Mostra de Trabalhos Científicos (E-pôsteres / Pôsteres Digitais)Abrir PDF

Palavras-chave: Atenção Primária em Saúde, Pessoas Idosas, Representações Sociais, Chile

CONTORNOS DO ENVELHECER: UM ESTUDO ENTRE HOMENS GAYS INGLESES

Dayson Silvestre Lustosa — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Gutemberg de Sousa Lima Filho — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Mateus Egilson da Silva Alves — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Nicole de Sousa Nobre — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Paulo Henrique Oliveira Barbosa — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Sofia Miranda Ribeiro de Sousa — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Antônio Richard Schárlysson Silva — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Ana Clara De Santana Carvalho — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Gustavo Reis de Carvalho Pereira — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Ludgleydson Fernandes de Araújo — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Introdução: O envelhecimento caracteriza-se como um processo multidimensional, influenciado por contextos sociais, culturais e territoriais. Na Inglaterra, observa-se o envelhecimento populacional, com aumento de 1,8% da população idosa e tendência à estabilização desse grupo. Sob a perspectiva da orientação sexual, homens gays vivenciam, ao longo da vida, determinantes específicos, como discriminação, violência, invisibilização e violações de direitos. Objetivo: Identificar as Representações Sociais de homens gays ingleses acerca do envelhecimento. Método: Pesquisa qualitativa, exploratório-descritiva, de corte transversal, aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (parecer nº 6.087.389). Participaram 125 homens gays ingleses com idade superior a 18 anos. Utilizaram-se dois instrumentos: (1) questionário biossociodemográfico, para caracterização da amostra; e (2) entrevista estruturada, com a questão: “O que o senhor entende por envelhecimento?”. A coleta ocorreu de forma online. Os dados do questionário foram analisados no SPSS 21.0, por meio de estatística descritiva, e as entrevistas no IRaMuTeQ 0.8, utilizando a Classificação Hierárquica Descendente. Resultados e Discussão: O corpus foi composto por 125 textos, agrupados em 96 ST, com aproveitamento de 75,73%. O dendrograma apresentou duas classes, reunidas no subcorpus “Consequências das mudanças do envelhecer”. A Classe 1 evidencia aspectos negativos relacionados às mudanças do envelhecimento, associando transformações físicas, como rugas, cabelos brancos e redução da mobilidade, à fragilidade, declínio e perda de capacidades. Na Classe 2, o envelhecimento é compreendido como um processo natural, cuja experiência varia conforme os recursos disponíveis. Destaca-se a importância da rede de apoio social para um envelhecimento mais livre e positivo, objetivada na sociabilidade em casas de acolhimento e redes sociais. Conclusão: Entre os homens gays ingleses, as representações sociais do envelhecimento articulam uma visão negativa das mudanças físicas e psicológicas, mas também reconhecem a relevância das redes de apoio e a possibilidade de um envelhecimento positivo. Esses achados podem refletir a maior consolidação de direitos dessa população na Inglaterra, além do perfil predominantemente jovem e adulto da amostra, pertencente a coortes que vivenciaram maiores avanços nos direitos LGBTQIA+ em comparação às gerações anteriores.

IICBP-0030Mostra de Trabalhos Científicos (E-pôsteres / Pôsteres Digitais)Abrir PDF

Palavras-chave: Envelhecimento, Homens Homossexuais, Representações Sociais

ENVELHECER EM LIBERDADE: QUALIDADE DE VIDA E AS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DO HOMEM GAY BRASILEIRO

Arthur de Moraes Almeida — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Gutemberg de Souza Lima Filho — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Mateus Egilson da Silva Alves — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Nicole de Sousa Nobre — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Paulo Henrique Oliveira Barbosa — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Sofia Miranda Ribeiro de Sousa — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Andressa Camilly de Carvalho Guimarães — Universidade Federal do Parnaíba

Matheus Feitosa Ferreira — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Ana Beatriz Vieira e Silva — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Ludgleydson Fernandes de Araújo — Universidade Federal do Delta do Parnaíba

INTRODUÇÃO: A qualidade de vida (QV) é um fenômeno multidimensional e complexo que abrange aspectos referentes à saúde física, psicológica, autonomia, condições de vida e relações sociais da pessoa. Através da QV pode-se verificar como o indivíduo compreende e vivencia seu desenvolvimento, pois envolve a relação da pessoa com seu contexto, com a sociedade e a cidadania. Para homens gays, essas dimensões podem ser atravessadas por experiências de discriminação, violência e redes de apoio construídas ao longo da vida, aspectos relevantes para a compreensão desse processo de envelhecimento. OBJETIVO: Entender as representações sociais de homens gays brasileiros acerca da qualidade de vida, considerando os elementos que contribuem para o conhecimento do processo de envelhecimento. MÉTODOS: A metodologia é fundamentada em uma abordagem qualitativa, exploratória-descritiva e transversal, sendo elaborada a partir da Teoria das Representações Sociais. O estudo contou com a participação de 216 brasileiros (com idade acima de 18 anos). Para a coleta de dados foi utilizada a Técnica da Associação Livre de Palavras (TALP), tendo “Qualidade de Vida” como termo indutor. Os dados sociodemográficos foram analisados pelo SPSS 21.0 e as evocações foram submetidas ao IRaMuTeQ 0.8, por meio de análise prototípica que considerou a frequência de evocação e a Ordem Média de Evocação (OME). RESULTADOS: Entre os resultados, a qualidade de vida foi representada principalmente pelos elementos “saúde”, “dinheiro”, “lazer” e “atividade física”. A “segurança” também foi uma palavra em destaque dentro do núcleo central, ganhando uma atenção específica ao relacionar-se com o processo de envelhecimento de homens gays e seus enfrentamentos à discriminação, violência e homofobia. Na periferia da representação, “alimentação”, “alegria”, “amigos” e “amor” foram as palavras encontradas que se destacaram ao relacionar a importância das relações sociais e afetivas com o processo de envelhecimento. Também foram identificados termos como “estabilidade”, “dificuldade” e “autocuidado”, sendo que “dificuldade” indica aspectos associados a desafios e obstáculos na experiência da qualidade de vida de homens gays. Outros elementos como “paz”, “afeto”, “tranquilidade”, “terapia”, “apoio”, “respeito”, “liberdade” e “autonomia” apareceram, sinalizando a importância de não restringir a qualidade de vida ao bem-estar físico. Ressalta-se, assim, a necessidade da articulação frente às condições econômicas, os fatores culturais, as relações afetivas e sociais no processo de envelhecimento. CONCLUSÃO: As representações sociais de homens gays brasileiros em seu processo de envelhecimento revelam que a qualidade de vida dessas pessoas ultrapassa a dimensão individual da saúde. Portanto, as condições que favoreçam saúde, segurança, vínculos e relações sociais também devem ser consideradas. A presença do termo “segurança” entre os resultados, assume uma característica particular ao pensar o processo de envelhecimento do homem gay. A qualidade de vida, desse grupo, e sua possibilidade de viver em estado de liberdade e proteção não são asseguradas devido às situações de discriminação e homofobia enfrentadas. Assim, práticas de saúde voltadas ao cuidado de homens gays devem adotar uma perspectiva multidimensional que construa espaços de envelhecimento de forma segura, inclusiva e, sobretudo, respeitosa.

IICBP-0031Mostra de Trabalhos Científicos (E-pôsteres / Pôsteres Digitais)Abrir PDF

Palavras-chave: Envelhecimento, Homens gays, Qualidade de vida, Representações sociais

HOMOFOBIA INTERNALIZADA, QUALIDADE DE VIDA E ENVELHECIMENTO: UMA ANÁLISE META-ETNOGRÁFICA

Eduard Dutra Dantas — Universidade Federal da Paraíba - UFPB · ORCID 0009-0005-1239-1752

Ana Júlia Nóbrega Silva — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UFDPAR

Júlia Regina Chaves Pires — Universidade Federal da Paraíba - UFPB

Hiago Veras Gomes — Universidade Federal do Pará - UFPA

Mateus Egilson da Silva Alves — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UFDPAR

Matheus Feitosa Ferreira — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UFDPAR

Nicole de Sousa Nobre — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UFDPAR

Paulo Henrique Oliveira Barbosa — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UFDPAR

Virgínia Maria Bezerra Silva — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UFDPAR

Ludgleydson Fernandes de Araújo — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UFDPAR

Introdução: A homofobia internalizada é um fenômeno psicológico em que homens gays internalizam atitudes sociais negativas contra a homossexualidade, o que compromete significativamente seu bem-estar ao longo de toda a trajetória de vida. Na perspectiva da psicogerontologia, esse processo assume contornos particulares no envelhecimento, uma vez que homens gays idosos vivenciaram, ao longo de décadas, contextos históricos de forte estigmatização, criminalização e patologização da homossexualidade, o que pode intensificar os efeitos cumulativos da homofobia internalizada sobre a qualidade de vida na velhice. A interseccionalidade entre envelhecimento, orientação sexual e exposição prolongada a estressores sociais cria vulnerabilidades específicas para essa população, muitas vezes invisibilizadas nas políticas de saúde voltadas à pessoa idosa. Objetivo: Este estudo teve como objetivo realizar uma revisão meta-etnográfica sobre o impacto da homofobia internalizada na qualidade de vida de homens gays, com especial atenção às implicações desse fenômeno para o processo de envelhecimento e para a psicogerontologia. Método: Trata-se de uma revisão meta-etnográfica conduzida segundo as diretrizes PRISMA, com protocolo registrado previamente. Foram incluídos onze estudos empíricos, qualitativos e quantitativos, que exploraram fatores pessoais e sociais relacionados à homofobia internalizada e à qualidade de vida em homens gays. A síntese seguiu o método de tradução recíproca, organizando os achados em dois eixos temáticos, fatores proximais e distais, com avaliação da qualidade metodológica dos estudos. Resultados e Discussão: Os resultados evidenciaram que a homofobia internalizada atua como um estressor proximal que se acumula ao longo da vida, associando-se a maior sofrimento psicológico, isolamento social e pior percepção de qualidade de vida. Entre homens gays idosos, esse quadro se mostrou particularmente preocupante, uma vez que trajetórias marcadas por décadas de invisibilidade e discriminação favorecem representações negativas sobre o próprio envelhecimento e sobre a vivência da sexualidade na velhice, incluindo sentimentos de solidão e desamparo. Fatores distais, como estigma social, discriminação estrutural e vulnerabilidade socioeconômica, agravam ainda mais esse cenário, sobretudo diante da escassez de redes de apoio voltadas especificamente à população LGBTQIA+ idosa. Conclusão: Os achados reforçam a relevância de a psicogerontologia incorporar a homofobia internalizada como determinante relevante da qualidade de vida na velhice, apontando para a necessidade de intervenções psicossociais e políticas públicas de saúde do idoso que considerem as especificidades do envelhecimento de homens gays.

IICBP-0032Mostra de Trabalhos Científicos (E-pôsteres / Pôsteres Digitais)Abrir PDF

Palavras-chave: Envelhecimento, Homofobia, Homossexualidade, Psicogerontologia, Qualidade de Vida

TREINAMENTO MULTICOMPONENTE E PREVENÇÃO DE QUEDAS EM PESSOAS IDOSAS: REVISÃO DE ESCOPO

Eduard Dutra Dantas — Universidade Federal da Paraíba - UFPB · ORCID 0009-0005-1239-1752

Brunna Hellen Saraiva Costa — Universidade Federal da Paraíba - UFPB

Pedro Henrick Saraiva Costa — Universidade Federal da Paraíba - UFPB

Maria Luíza dos Santos Maribondo da Silva — Faculdade de Enfermagem São Vicente de Paula - FESVIP

Morganna Maria de Lima Batista — Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ

Eldia dos Santos Araújo — Faculdade de Enfermagem São Vicente de Paula - FESVIP

Ludgleydson Fernandes de Araújo — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UFDPAR

Introdução: As quedas em pessoas idosas constituem um relevante problema de saúde pública, associadas a fraturas, hospitalizações, perda de autonomia, institucionalização e aumento da mortalidade. Entre os fatores de risco modificáveis, destacam-se a redução da força muscular, o déficit de equilíbrio, as alterações da marcha e o declínio funcional decorrentes do envelhecimento. Nesse contexto, o treinamento multicomponente — intervenção que combina exercícios de fortalecimento muscular, equilíbrio, marcha, flexibilidade e, em alguns casos, treino cognitivo e orientações comportamentais — tem sido amplamente recomendado como estratégia eficaz na prevenção de quedas, por atuar simultaneamente sobre múltiplos fatores de risco. Diante da diversidade de protocolos e populações estudadas, torna-se relevante mapear na literatura científica as evidências disponíveis sobre os efeitos do treinamento multicomponente na prevenção de quedas em pessoas idosas. Objetivo: Mapear na literatura científica as evidências disponíveis acerca dos efeitos do treinamento multicomponente na prevenção de quedas em pessoas idosas. Metodologia: Trata-se de uma Revisão de Escopo, elaborada com base nas diretrizes do Joanna Briggs Institute (JBI) e reportada conforme o checklist PRISMA-ScR. A questão de pesquisa foi estruturada segundo a estratégia PCC (População: pessoas idosas; Conceito: treinamento multicomponente; Contexto: prevenção de quedas). A busca foi realizada nas bases de dados LILACS, Bdenf e PubMed, por intermédio da Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), e no Google Scholar, utilizando os descritores em ciências da saúde "exercício multicomponente" (ou "treinamento multicomponente"), "quedas" e "idoso", combinados pelo operador booleano AND. Resultados: Os estudos mapeados evidenciam que o treinamento multicomponente é eficaz na prevenção de quedas em pessoas idosas, tanto em contextos comunitários quanto institucionalizados. Entre os principais achados, destacam-se: melhora significativa da força muscular e do equilíbrio, componentes centrais na redução do risco de queda; redução da taxa de quedas e, especialmente, das quedas lesivas, quando os programas são realizados com frequência mínima de duas a cinco sessões semanais; maior eficácia das intervenções multicomponentes em comparação a programas isolados de treino de equilíbrio, sobretudo em idosos institucionalizados, com reduções relatadas de até 50%; benefícios adicionais em capacidade funcional, cognição, autonomia e reversão de quadros de fragilidade; e resultados mais consistentes quando o treino físico é associado a orientações comportamentais sobre fatores de risco (ambientais, uso de medicamentos, problemas visuais e podológicos). Conclusão: O mapeamento da literatura reforça o treinamento multicomponente como estratégia eficaz e segura para a prevenção de quedas em pessoas idosas, contribuindo para a redução da incidência de quedas e de suas consequências, além de promover ganhos em força, equilíbrio, capacidade funcional e qualidade de vida. Os achados evidenciam heterogeneidade entre os protocolos utilizados (frequência, duração e componentes dos programas), reforçando a necessidade de estudos adicionais que padronizem as intervenções e ampliem a aplicabilidade dos resultados a diferentes contextos, como o de idosos institucionalizados.

IICBP-0033Mostra de Trabalhos Científicos (E-pôsteres / Pôsteres Digitais)Abrir PDF

Palavras-chave: Quedas, Exercício físico, Idoso, Treinamento multicomponente

EFEITOS DA MUSICALIZAÇÃO NA SAÚDE MENTAL DA PESSOA IDOSA: REVISÃO INTEGRATIVA

Eduard Dutra Dantas — Universidade Federal da Paraíba - UFPB · ORCID 0009-0005-1239-1752

Brunna Hellen Saraiva Costa — Universidade Federal da Paraíba - UFPB

Pedro Henrick Saraiva Costa — Universidade Federal da Paraíba - UFPB

Maria Luíza dos Santos Maribondo da Silva — Faculdade de Enfermagem São Vicente de Paula - FESVIP

Morganna Maria de Lima Batista — Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ

Eldia dos Santos Araújo — Faculdade de Enfermagem São Vicente de Paula - FESVIP

Ludgleydson Fernandes de Araújo — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UFDPAR

Introdução: O envelhecimento populacional é uma realidade crescente no Brasil e no mundo, trazendo consigo o aumento de agravos à saúde mental da pessoa idosa, como depressão, ansiedade, isolamento social e declínio cognitivo associado a quadros demenciais. Nesse cenário, práticas integrativas e complementares, como a musicalização, têm ganhado destaque como estratégias de cuidado não farmacológico. A musicalização, entendida como o processo de vivência e expressão musical (distinta da musicoterapia clínica, embora frequentemente relacionada a ela), tem sido associada a benefícios emocionais, cognitivos e sociais para essa população. Diante disso, torna-se relevante investigar, na literatura científica, quais são os efeitos descritos da musicalização sobre a saúde mental do idoso, de modo a subsidiar práticas de cuidado em enfermagem e áreas afins. Objetivo: Identificar na literatura científica internacional acerca dos efeitos da musicalização para a saúde mental da pessoa idosa. Metodologia:  Foi realizada uma Revisão Integrativa da Literatura, realizada nas bases de dados LILACS, Bdenf e Pumed por intermédio da Biblioteca virtual de saúde (BVS) e no Google scholar , para a estratégia de busca foram utilizados os seguintes descritores em ciências da saúde: ‘’musicalização’’, ‘’saúde mental’’ e ‘’pessoa idosa’’ com o operador booleano AND. Resultados: A partir da busca nas bases de dados, foram selecionados estudos que evidenciam efeitos predominantemente positivos da musicalização sobre a saúde mental da pessoa idosa. Entre os principais achados, destacam-se: (1) redução de sintomas de ansiedade e depressão; (2) melhora da qualidade de vida e do bem-estar emocional; (3) estímulo à memória, atenção e outras funções cognitivas, com potencial de retardar o declínio cognitivo; (4) fortalecimento da interação social e resgate de memórias afetivas, especialmente relevante em contextos de isolamento e institucionalização; e (5) contribuição para a regulação comportamental em idosos com quadros demenciais. Alguns estudos, no entanto, apontaram resultados mistos ou de significância estatística limitada, sugerindo a necessidade de maior padronização metodológica entre as pesquisas da área. Conclusão: A musicalização apresenta-se como uma estratégia promissora e de baixo custo para a promoção da saúde mental da pessoa idosa, contribuindo para a redução de sintomas depressivos e ansiosos, estímulo cognitivo e fortalecimento de vínculos sociais. Apesar da heterogeneidade metodológica encontrada nos estudos analisados, os achados reforçam a relevância de incorporar práticas musicais no cuidado integral ao idoso, tanto em contextos comunitários quanto institucionais. Recomenda-se a realização de mais estudos com desenhos metodológicos robustos, a fim de consolidar evidências sobre os efeitos da musicalização e orientar sua aplicação sistemática por profissionais de saúde.

IICBP-0034Mostra de Trabalhos Científicos (E-pôsteres / Pôsteres Digitais)Abrir PDF

Palavras-chave: Saúde mental, Musicalização, Música, Idoso

ATIVIDADE FÍSICA E PREVENÇÃO DA SÍNDROME DA FRAGILIDADE EM IDOSOS RESIDENTES EM ILPIs: REVISÃO DE ESCOPO

Eduard Dutra Dantas — Universidade Federal da Paraíba - UFPB · ORCID 0009-0005-1239-1752

Brunna Hellen Saraiva Costa — Universidade Federal da Paraíba - UFPB

Pedro Henrick Saraiva Costa — Universidade Federal da Paraíba - UFPB

Maria Luíza dos Santos Maribondo da Silva — Faculdade de Enfermagem São Vicente de Paula - FESVIP

Morganna Maria de Lima Batista — Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ

Eldia dos Santos Araújo — Faculdade de Enfermagem São Vicente de Paula - FESVIP

Ludgleydson Fernandes de Araújo — Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UFDPAR

Introdução: o envelhecimento populacional tem impulsionado o crescimento das Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), ambientes nos quais os residentes apresentam maior vulnerabilidade social e risco elevado de declínio funcional. A síndrome da fragilidade, caracterizada por perda de peso involuntária, exaustão, fraqueza muscular, lentidão da marcha e diminuição da atividade física, é considerada uma condição clínica reversível e um importante preditor de quedas, hospitalização, dependência e mortalidade em idosos institucionalizados. Nesse contexto, a atividade física regular vem sendo apontada como uma estratégia central de prevenção e manejo da fragilidade. Diante da diversidade de abordagens e da amplitude do tema, torna-se relevante mapear na literatura científica as evidências disponíveis sobre os efeitos da atividade física na prevenção da síndrome da fragilidade em idosos residentes em ILPIs. Objetivo: Mapear na literatura científica as evidências disponíveis acerca dos efeitos da atividade física na prevenção da síndrome da fragilidade em idosos residentes em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs). Metodologia: Trata-se de uma Revisão de Escopo, elaborada com base nas diretrizes do Joanna Briggs Institute (JBI) e reportada conforme o checklist PRISMA-ScR (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses extension for Scoping Reviews). A questão de pesquisa foi estruturada segundo a estratégia PCC (População: idosos residentes em ILPIs; Conceito: atividade física; Contexto: prevenção da síndrome da fragilidade). A busca foi realizada nas bases de dados LILACS, Bdenf e PubMed, por intermédio da Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), e no Google Scholar, utilizando os descritores em ciências da saúde “atividade física”, “fragilidade” e “idosos institucionalizados” (ou “instituição de longa permanência para idosos”), combinados pelo operador booleano AND. Resultados:
Os estudos mapeados evidenciam associação consistente entre a prática regular de atividade física e a redução do risco de fragilidade em idosos institucionalizados. Entre os principais achados, destacam-se: melhora da força muscular, do equilíbrio e da velocidade de marcha, componentes centrais no fenótipo de fragilidade de Fried; redução da sarcopenia e das limitações funcionais associadas ao envelhecimento; diminuição do risco de quedas e de suas consequências (fraturas, hospitalização e maior dependência); contribuição para a manutenção da autonomia e da qualidade de vida; e benefícios de programas de exercícios resistidos e multicomponentes na prevenção e reversão de quadros de pré-fragilidade e fragilidade. Conclusão:
o mapeamento da literatura reforça a atividade física como estratégia eficaz e de baixo custo para a prevenção e o manejo da síndrome da fragilidade em idosos residentes em ILPIs, contribuindo para a preservação da capacidade funcional, redução do risco de quedas e melhora da qualidade de vida. Os achados evidenciam lacunas metodológicas entre os estudos, reforçando a necessidade de pesquisas longitudinais e de intervenção que consolidem protocolos padronizados de exercício físico aplicáveis à realidade das ILPIs.

IICBP-0035Mostra de Trabalhos Científicos (E-pôsteres / Pôsteres Digitais)Abrir PDF

Palavras-chave: Fragilidade, Atividade física, Idoso, Instituição de longa permanência para idosos

GÊNERO, TRABALHO E ENVELHECIMENTO: PANORAMA DAS PESQUISAS SOBRE O ENVELHECER FEMININO ARTE

LUIZA MARTINS SILVA GUIMARAES — Universidade de Brasília · ORCID 0000-0003-2500-5548

Isabelle Patriciá Freitas Soares Chariglione — Universidade de Brasília · ORCID 0000-0001-8627-3736

Carla Sabrina Xavier Antloga — Universidade de Brasília · ORCID 0000-0003-4105-6708

RESUMO

Introdução: O envelhecimento feminino é atravessado por desigualdades de gênero que se articulam às trajetórias de trabalho produtivo, reprodutivo e de cuidado, repercutindo na subjetividade, autonomia, saúde e proteção social ao longo do curso de vida. Objetivo: Analisar e sintetizar a produção bibliográfica sobre a relação entre trabalho e envelhecimento feminino, com ênfase nas mulheres brasileiras, organizando a discussão a partir de três eixos: o lugar do trabalho na constituição do sujeito; o envelhecimento feminino diante das transformações dos papéis produtivo e reprodutivo; e a heterogeneidade das experiências de envelhecer sob a perspectiva do trabalho. Método: Foi realizado um mapeamento do estado da arte da literatura científica recente sobre a interface entre gênero, trabalho e envelhecimento, sistematizando a produção selecionada em três eixos temáticos interdependentes e articulando perspectivas da interseccionalidade, Psicodinâmica do Trabalho e ciências do envelhecimento. Resultados e Discussão: A literatura reflete sobre como o trabalho constitui a subjetividade e a identidade das mulheres. No entanto, suas experiências são marcadas pela desigualdade, manifestas por meio de fenômenos como divisão sexual do trabalho, dupla ou tripla jornada, desigualdades salariais, estereótipos e invisibilização do trabalho de cuidado não remunerado. Na velhice, essas desigualdades acumuladas ao longo dos anos repercutem em vulnerabilidades econômicas e psicossociais, enquanto a saída do mercado de trabalho pode produzir perda de reconhecimento e utilidade social. Paralelamente, o trabalho de cuidado não cessa mesmo com a idade avançada, permanecendo como responsabilidade feminina por meio do cuidado intergeracional e de familiares dependentes, pois o cuidado é visto como responsabilidade praticamente unilateral da mulher. A análise interseccional evidencia ainda que gênero, raça, classe, sexualidade e território produzem trajetórias laborais e experiências de envelhecimento distintas, sendo especialmente marcantes as desigualdades que atingem mulheres negras, periféricas, de baixa renda e inseridas em trabalhos precarizados. Conclusão: O envelhecimento feminino não pode ser compreendido como uma experiência homogênea, mas como um processo social e histórico marcado por desigualdades acumuladas no trabalho produtivo e reprodutivo. A compreensão dessa interface requer superar perspectivas estritamente biomédicas, reconhecer o cuidado como uma dimensão estruturante da vida social e formular políticas públicas intersetoriais que favoreçam proteção social, autonomia, descanso e dignidade das mulheres que envelhecem.


IICBP-0036Mostra de Trabalhos Científicos (E-pôsteres / Pôsteres Digitais)Abrir PDF

Palavras-chave: Envelhecimento, Gênero, Interseccionalidade, Trabalho, Cuidado

ENVELHECIMENTO E LUTO: PERDAS E A CONSTRUÇÃO DE UM NOVO COTIDIANO

Ana Leda Higa Ribeiro — Faculdade de Ciências e Letras de Assis-SP (UNESP) · ORCID 0000-0002-3087-0985

Danielle dos Santos Cutrim Garros — Departamento de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Marília -SP

RESUMO

Introdução: O envelhecimento constitui um processo marcado por transformações corporais, psíquicas, relacionais e sociais que atravessam a maneira como o sujeito percebe a si mesmo e organiza sua vida cotidiana. Na velhice, mudanças nos vínculos familiares, nos papéis sociais, nas condições de autonomia e na relação com o tempo podem coexistir com experiências de continuidade, novos investimentos e possibilidades de transformação. Nesse percurso, a morte de pessoas significativas pode produzir rupturas importantes na velhice, uma vez que a perda não diz respeito apenas à ausência daquele que morreu, mas também às experiências, hábitos, projetos e formas de organização da vida construídos na relação com essa pessoa. Objetivo: Refletir sobre a experiência do luto no envelhecimento e seus efeitos na reorganização do cotidiano, estabelecendo uma interlocução entre o conceito psicanalítico do trabalho do luto e o conceito de objeto transformacional. Método: Trata-se de um estudo teórico-conceitual, de orientação psicanalítica, desenvolvido a partir de um recorte de pesquisa de mestrado sobre luto e objeto transformacional, em interlocução com estudos do campo da Gerontologia. A análise articula as formulações acerca do trabalho do luto e do objeto transformacional, tomando o envelhecimento e a reorganização do cotidiano após a morte de uma pessoa significativa como eixos de reflexão. Resultados e Discussão: Na perspectiva psicanalítica, o luto pode ser compreendido como um trabalho psíquico no qual o sujeito é confrontado com uma realidade modificada pela ausência da pessoa amada, enquanto os investimentos afetivos construídos nessa relação não desaparecem imediatamente. No envelhecimento, essa elaboração pode atravessar de maneira particular o cotidiano, pois espaços, atividades, relações e acontecimentos antes compartilhados passam a ser vivenciados a partir da ausência. O conceito de objeto transformacional permite ampliar essa reflexão ao considerar experiências capazes de produzir transformações na maneira como o sujeito vivencia a si mesmo e o mundo. Nessa interlocução, propõe-se pensar que pessoas, atividades, vínculos, lugares e acontecimentos podem adquirir qualidade transformacional, não por substituírem aquele que morreu, mas por possibilitarem ao sujeito voltar a ser afetado, investir e estabelecer novas relações com o mundo. O cotidiano apresenta-se, assim, como espaço privilegiado para compreender a reorganização da vida após a perda: novos investimentos podem coexistir com a memória e com a permanência psíquica da relação construída com quem morreu. Conclusão: A interlocução entre o trabalho do luto e o conceito de objeto transformacional permite pensar o envelhecimento para além de uma perspectiva centrada exclusivamente em perdas e declínios. Na experiência do luto na velhice, a elaboração da perda pode envolver simultaneamente memória, ausência, reorganização do cotidiano e abertura para experiências transformacionais. Elaborar o luto não significa apagar ou substituir o vínculo perdido, mas construir possibilidades de continuidade da existência nas quais a história compartilhada com quem morreu possa coexistir com novos investimentos e transformações.

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Palavras-chave: Envelhecimento, Idoso, Luto, Psicanálise

QUEM PAGA A CONTA DO CUIDADO? ENVELHECIMENTO, DIVISÃO SEXUAL DO TRABALHO E BEM-ESTAR FINANCEIRO DAS MULHERES

Luiza Martins Silva Guimarães — Universidade de Brasília · ORCID 0000-0003-2500-5548

Adriana Krieger Fioravanti Barbosa — Universidade de Brasília · ORCID 0009-0002-3109-1585

Carla Sabrina Xavier Antloga — Universidade de Brasília · ORCID 0000-0003-4105-6708

Introdução: O envelhecimento populacional brasileiro evidencia a feminização da velhice e, simultaneamente, a persistência de desigualdades econômicas que acompanham as mulheres ao longo do curso de vida. O envelhecimento feminino ocorre em um contexto marcado por menor renda, trajetórias profissionais descontínuas, menor tempo de contribuição previdenciária e sobrecarga de trabalho doméstico e de cuidados não remunerado. Objetivo: Analisar a articulação entre feminização da pobreza e feminização da velhice, discutindo como desigualdades de gênero, raça e classe acumuladas ao longo da vida repercutem no bem-estar financeiro das mulheres na velhice. Método: Trata-se de ensaio teórico fundamentado em literatura científica nacional e internacional e em dados secundários brasileiros sobre trabalho, renda, proteção previdenciária, endividamento, resiliência e bem-estar financeiro no contexto brasileiro. Resultados e Discussão: A análise evidencia que a divisão sexual do trabalho e a responsabilização feminina pelo cuidado produzem efeitos cumulativos sobre a inserção laboral, a renda e a proteção social. A maternidade, as interrupções profissionais, a precarização ocupacional e a elevada dedicação a atividades domésticas e de cuidado reduzem oportunidades de trabalho remunerado e contribuem para menores benefícios previdenciários. Essas desvantagens são mais intensas quando articuladas a raça, classe e território, especialmente entre mulheres negras e de classes populares. O cuidado segue sendo uma responsabilidade feminina mesmo após a aposentadoria, configurando uma espécie de continuidade do trabalho não remunerado e ampliando demandas físicas, emocionais e financeiras. O conceito de bem-estar financeiro permite integrar condições objetivas, como renda e capacidade de enfrentar despesas, a dimensões subjetivas, como segurança, autonomia e estresse financeiro. Os dados discutidos indicam maior vulnerabilidade e menor resiliência financeira entre mulheres, inclusive na velhice, enquanto a cobertura previdenciária pode ocultar diferenças na natureza e no nível da proteção recebida. Conclusão: A pobreza feminina na velhice é um resultado construído pelas desigualdades estruturais produzidas e acumuladas ao longo de toda a trajetória de vida, e não de condições exclusivamente presentes no momento da aposentadoria. O enfrentamento desse processo requer políticas públicas com perspectiva interseccional e de curso de vida, reconhecimento e redistribuição do trabalho de cuidado e ampliação de mecanismos de proteção social capazes de promover maior equidade econômica entre mulheres e homens.

IICBP-0039Mostra de Trabalhos Científicos (E-pôsteres / Pôsteres Digitais)Abrir PDF

Palavras-chave: Envelhecimento, Bem-estar Financeiro, Trabalho de cuidado, Mulheres, Interseccionalidade

CONFLITOS RELACIONAIS NO CUIDADO DOMICILIAR DE LONGA DURAÇÃO ENTRE PESSOAS IDOSAS, CUIDADORES FAMILIARES E CUIDADORES FORMAIS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA

Bárbara de Serpa Pinto — Programa de Pós-Graduação em Gerontologia, EACH-USP · ORCID 0009-0001-2926-9105

Bibiana Graeff — Docente da Universidade de São Paulo, EACH-USP e Faculdade de Direito-USP

Deusivania Vieira da Silva Falcão — 3Docente do Programa de Pós-Graduação em Gerontologia, EACH-USP

Introdução: O cuidado de longa duração domiciliar é composto de um sistema complexo de relações, onde pessoas idosas, cuidadores familiares e cuidadores formais interagem. A sobrecarga, distribuição desproporcional de responsabilidades, confusão e indefinição de papéis que quando sobrepostos às dificuldades de comunicação, tendem a favorecer um ambiente de tensão e, neste contexto, comprometer a qualidade de cuidado, afetando a autonomia da pessoa idosa, seu bem-estar e qualidade de vida, além da saúde mental dos cuidadores. Objetivo: A revisão integrativa teve como objetivo mapear e analisar os conflitos relacionais no cuidado domiciliar de longa duração envolvendo pessoas idosas, cuidadores familiares e cuidadores formais, no período de 2020 a 2025. Método: Elegeu-se uma revisão integrativa da literatura, com estratégia PICo. As bases de buscas foram as plataformas: SciELO, LILACS, Scopus, PubMed e Web of Science. Buscou-se artigos científicos sobre o tema, cujas publicações tenham ocorrido entre  de janeiro de 2020 a agosto de 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol. Inicialmente, identificou-se 152 registros. Feita a exclusão dos duplicados, a triagem através de títulos e resumos, foi feita a  leitura integral e a avaliação crítica, onde 10 estudos empíricos compuseram a amostra final, sendo 8 qualitativos e 2 quantitativos. Após a seleção, final foram submetidos à análise de conteúdo. Resultados e Discussão: Após análise, organizou-se os resultados em dois eixos temáticos: (i) Familismo e organização do cuidado: ambivalências, conflitos e desigualdades na divisão de responsabilidades e (ii) Falhas de comunicação entre os atores do sistema de cuidado domiciliar de longa duração da pessoa idosa: expectativas, desalinhamentos, descontinuidades e novidades tecnológicas. Assim, evidenciou-se que a sobrecarga do cuidador, a predominância do cuidado praticado pelo sexo feminino, falta de definição de papéis, as diferenças socioculturais, rotatividade dos profissionais e falta de alinhamento de expectativas relativas à autonomia, e reforçam sentimento de culpa, frustração, desconfiança, ressentimento, estresse e isolamento social. Achou-se, também, evidências de que as tensões que, para além de motivação interpessoal, também estão associadas  desigualdades de gênero, insuficiência de suporte institucional e novas formas de organização do cuidado. Conclusão: Os conflitos no cuidado domiciliar devem ser compreendidos como fenômenos sistêmicos e relacionais, articulados a dinâmicas emocionais e comunicacionais, diferenças socioculturais, desigualdades estruturais e transformações na organização do trabalho. Os achados reforçam a importância de intervenções psicogerontológicas e interdisciplinares voltadas à pactuação de papéis, à comunicação entre os atores, ao apoio à saúde mental dos cuidadores e à preservação da autonomia e da participação decisória da pessoa idosa.
Referências:
SOUZA, M. T.; SILVA, M. D.; CARVALHO, R. Revisão integrativa: o que é e como fazer. Einstein (São Paulo), 8(1), 102–106, 2010.
WHITTEMORE, R.; KNAFL, K. The integrative review: updated methodology. Journal of Advanced Nursing, 52(5), 546–553, 2005.

IICBP-0041Mostra de Trabalhos Científicos (E-pôsteres / Pôsteres Digitais)Abrir PDF

Palavras-chave: Conflito, Cuidado de Longa Duração, Pessoa idosa.

REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DOS CUIDADOS PALIATIVOS NA ENFERMAGEM: FORMAÇÃO, PRÁTICA E INTERFACES COM A PSICOGERONTOLOGIA

Fernanda de Lima Paula — Universidade de São Paulo- USP

Deusivania Vieira da Silva Falcão — Universidade de São Paulo- USP

Introdução: Os cuidados paliativos constituem uma abordagem integral voltada à prevenção e ao alívio do sofrimento e à promoção da qualidade de vida de pacientes e familiares. No contexto do envelhecimento populacional, sua interface com a Psicogerontologia torna-se relevante por envolver dimensões psicossociais, relacionais e familiares do cuidado, além de questões relacionadas à finitude. Entretanto, sua incorporação aos serviços ainda é atravessada por concepções associadas à terminalidade, ao abandono terapêutico e à morte, além de fragilidades na formação profissional. Objetivo: Compreender as representações sociais de profissionais de enfermagem acerca dos cuidados paliativos, analisando sua construção nos processos formativos, sua expressão nas práticas assistenciais e suas interfaces com a Psicogerontologia. Método: Estudo qualitativo, fundamentado na Teoria das Representações Sociais, realizado em uma unidade especializada de cuidados paliativos, com 15 profissionais de enfermagem, entre enfermeiros e técnicos de enfermagem. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas individuais, precedidas pela caracterização sociodemográfica e profissional dos participantes. O corpus foi analisado segundo a análise de conteúdo de Bardin, contemplando pré-análise, exploração do material, tratamento e interpretação dos resultados, com construção de categorias e subcategorias e apreciação da frequência das unidades de análise. O estudo foi aprovado pelos Comitês de Ética em Pesquisa da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo e do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (CAAE nº 88488725.3.0000.5390 e nº 88488725.3.3001.0068). Resultados e Discussão: As representações sociais mostraram-se articuladas à formação, à experiência assistencial e às relações estabelecidas no cotidiano do cuidado. Na distribuição das unidades de análise, predominou a compreensão dos cuidados paliativos como dignidade, conforto e alívio do sofrimento (46,0%), seguida pela falta de conhecimento de pacientes e familiares sobre a abordagem e o processo de fim de vida (33,6%) e pela compreensão equivocada da sociedade acerca dos cuidados paliativos (20,4%). Os relatos evidenciaram valorização do acolhimento, do vínculo, do cuidado centrado na pessoa e na família e da atuação multiprofissional. Também emergiram representações ancoradas na morte e na terminalidade, demandando esclarecimento e ressignificação. As lacunas na formação inicial favoreceram a aprendizagem sustentada pela prática, pela observação de colegas e pelas experiências no serviço. Conclusão: As representações sociais identificadas revelam a influência da formação e das experiências profissionais na construção dos sentidos atribuídos aos cuidados paliativos. O fortalecimento da formação inicial e da educação permanente é fundamental para qualificar a assistência, reduzir estigmas e ampliar a compreensão dos cuidados paliativos para além da morte e da terminalidade. Na interface com a Psicogerontologia, esses achados ressaltam a importância de considerar as dimensões subjetivas, relacionais e familiares presentes no envelhecimento, no adoecimento grave e na finitude, favorecendo práticas de cuidado integral e centradas na pessoa e na família. Referência Bibliográfica: Alcalde, J., & Zimmermann, C. (2022). Stigma about palliative care: Origins and solutions. ecancermedicalscience, 16, 1377.

IICBP-0044Mostra de Trabalhos Científicos (E-pôsteres / Pôsteres Digitais)Abrir PDF

Palavras-chave: Cuidados Paliativos, Enfermagem, Envelhecimento, Representação Social